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Caixa Automatizada

Caixa Automatizada

12/12/2013

Ela é tudo de bom: economia de combustível e maior conforto atrás do volante. Mas, como toda novidade, requer treinamento e adaptação dos profissionais para se livrar de antigos hábitos

Texto | Paulo Carneiro

Embora com atraso em relação à Europa e aos Estados Unidos, os caminhões e ônibus equipados com caixas automatizadas estão ganhando espaço cada vez maior na frota brasileira, provocando mudanças nas montadoras e no mercado de reposição. Entre outras vantagens, essa tecnologia oferece maior economia de combustível e conforto ao dirigir. Em contrapartida, exige cuidados mais frequentes com manutenção, assim como uma adaptação dos profissionais que ainda mantêm antigos condicionamentos. Nesse período de transição, porém, fabricantes, técnicos e aplicadores procuram botar ordem na casa com algumas dicas quanto à manutenção e à postura ao volante.

De acordo com o instrutor de treinamento da Volvo, Vânio Albino, por ser uma caixa automatizada, ela contém mecanismos e sensores eletrônicos que permitem um diagnóstico rápido e preciso. “As informações são enviadas diretamente ao computador de bordo do caminhão ou do ônibus, de modo que, se houver elevação da temperatura do disco da embreagem em decorrência da utilização incorreta, o sensor informa no display instalado no painel”, afirma Albino.

A Volvo utiliza a caixa I-shift, que, segundo Albino, permite uma mudança de marchas ao mesmo tempo mais produtiva, segura e confortável para o motorista. “O câmbio automático de 12 velocidades vem com um novo software que se interconecta harmoniosamente com a parte eletrônica, otimizando a performance de diesel através da tecnologia SCR, fazendo com que haja maior economia de combustível.”

Nova postura ao volante. O instrutor ressalta, no entanto, que o motorista precisa conhecer bem o funcionamento do sistema e mudar sua postura ao dirigir. “Um vício ainda muito comum é deixar a mão apoiada na alavanca, como se o veículo estivesse equipado com câmbio manual. Outra herança do condicionamento ocorre quando ele faz as trocas de marcha mecanicamente sem se dar conta de que no automático elas são feitas de modo mais correto, preciso e econômico.”

Já o engenheiro do produto de pré-vendas da Scania Brasil, Cesar Gallagi, afirma que o motorista não enfrentará problemas no que diz respeito à manutenção se seguir as recomendações do fabricante. “A transmissão automatizada da Scania, que recebe o nome de Scania Opticruise, existe justamente para simplificar a vida do condutor e diminuir os custos operacionais”, diz. “Ela foi projetada para fazer as trocas de marchas automaticamente de forma inteligente, levando em consideração o melhor aproveitamento do motor em cada situação.” Gallagi declara ainda que o sistema utiliza os mesmos componentes mecânicos da transmissão convencional, razão pela qual não é necessário nenhum tipo de cuidado específico com a manutenção, desde que sejam seguidas as revisões programadas. “Todo o trabalho relacionado à troca de marchas sai da responsabilidade do motorista e passa para o Opticruise, o que garante um menor consumo de combustível e maior durabilidade do trem de força.”

Cuidados e treinamentos também são recomendados pelo diretor do Simpósio SAE Brasil de Trem de Força (Powertrain), Mauro Moraes de Souza. Para ele, é necessário que o motorista procure se familiarizar com o sistema e siga os mesmos procedimentos usados no caso da transmissão manual convencional. “Nas rampas, recomenda-se o uso do freio de serviço ou estacionamento para auxiliar na parada ou partida do veículo, evitando o uso do acelerador, pois, assim como no câmbio manual, o sobreaquecimento da embreagem aumenta seu desgaste”, afirma.“A diferença é que na automatizada a influência do condutor na durabilidade da embreagem é minimizada em função da automação.”

O engenheiro acredita que a tendência é que esse sistema seja cada vez mais usado no Brasil na linha pesada, já que propicia economia da embreagem aliada ao menor consumo de combustível, compensando o custo adicional. A Volvo, por exemplo, conta com mais de 90% dos caminhões vendidos com transmissões automatizadas. A Scania, igualmente, conta com mais de 90% dos seus modelos vendidos com esse tipo de transmissão.

A exemplo de Souza, o instrutor e consultor técnico do Conarem (Conselho Nacional de Retíficas de Motores) Roberto Canassa Júnior considera importante que o motorista seja treinado para utilizar esse tipo de transmissão. “Esse equipamento passou a ser utilizado recentemente em caminhões e ônibus no Brasil em maior escala, mas vale ressaltar que temos o câmbio automatizado e o câmbio automático”, afirma. “Nas duas configurações, um ponto importante é instruir e treinar o condutor nos procedimentos de operação.”

Eaton: olho na lubrificação

Segundo o engenheiro de serviço da Eaton Felipe Alves, a transmissão automatizada é mais simples do que a mecânica. “Isso permite, inclusive, que os frotistas tenham um leque maior de opções de profissionais que podem conduzir o caminhão com este câmbio, porque ele exige um nível de experiência menor do motorista”, diz. “A automatizada requer menos manutenção da embreagem –evita os erros de partida dos veículos, algo comum nas manuais. Assim, permite maior vida útil da embreagem.”

O engenheiro explica que um dos cuidados principais é manter a lubrificação do mancal e do eixo do garfo da embreagem, e conservar o nível do óleo. “Aproveite para fazer essa manutenção sempre que fizer revisão no veículo. A transmissão Eaton possui tecnologia que emite um sinal no painel do veículo e que aponta o intervalo de lubrificação. Cuidado especial com os componentes eletrônicos: evite pisar, forçar ou bater nos componentes eletrônicos da transmissão.”

SAIBA MAIS

 
VOLVO
 
SCANIA BRASIL
(11) 4344-9333
 
MAURO MORAES DE SOUZA (SAE BRASIL)
(11) 3287-2033
 
ROBERTO CANASSA JÚNIOR  (CONAREM)
(11) 5594-1010
 
EATON
0800 170551