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Faça a coisa certa

Faça a coisa certa

21/03/2013

Um bom currículo pode definir uma contratação. Mas são as atitudes positivas –que vão do bom relacionamento interpessoal à humildade e à proatividade– que podem garantir o sucesso e o crescimento do profissional na empresa

Texto | Regina Ramoska

Um empresário adotou uma técnica simples e inusitada na hora da contratação. Deixou uma vassoura atravessada no corredor entre a sua sala e a outra, onde os candidatos aguardavam a entrevista de emprego. Cada vez que um deles entrava, o gestor levantava e observava se o interessado na vaga havia pulado a vassoura ou colocado o utensílio em pé, junto à parede. Isso se tornava decisivo na avaliação, pois mostrava, empiricamente, a inclinação do candidato a uma atitude positiva perante uma situação simples. “O sujeito que tira a vassoura do caminho mostra iniciativa, é alguém que vai fazer acontecer, independentemente de ser a sua tarefa prioritária”, resume o consultor Mario Persona, que usa a historinha como exemplo em suas palestras para demonstrar o enorme papel desempenhado pelas atitudes assertivas na carreira de qualquer profissional. “Já uma pessoa que pula a vassoura vai pular tudo.”

A iniciativa que o empresário da historinha buscou observar usando a vassoura no chão é premissa básica em qualquer circunstância, garante Persona, autor de diversos livros sobre desenvolvimento pessoal e profissional e consultor e professor de estratégias de comunicação e marketing. “De uma maneira geral, uma atitude de prontidão é sempre bem vista.” Mostrar disposição para o trabalho quando alguém pede algo, ou até mesmo para ajudar os colegas, sempre conta pontos aos olhos das lideranças. “O que o profissional deve entender é que ele está ali para gerar receita para a empresa, e isto independe da área onde trabalha”, afirma. O especialista alerta, porém, para a necessidade de “conhecer muito bem o ambiente antes de começar a fazer sugestões”, para que o gesto do novo colaborador não seja confundido com intromissão.

Atitude colaborativa, positiva, focada no resultado e não nos problemas é muito valorizada no ambiente profissional, acrescenta Felipe Westin, diretor da Westin Gestão de Pessoas. “Atitude íntegra também é muito importante, pois cria um ambiente de confiança e de honestidade no ambiente de trabalho”, acrescenta.

Outra característica sempre em alta é a criatividade. “Quando todas as empresas têm acesso aos mesmos produtos, com as mesmas características e um padrão idêntico de qualidade, são os colaboradores criativos que ajudam a empresa a se destacar no mercado”, diz Persona. Ao contrário do que se imagina, diz o consultor, todos têm um lado criativo, a capacidade de transformar adversidade em solução. O profissional que exercita essa atitude não se dá por satisfeito enquanto não encontrar outra maneira de fazer a mesma coisa, não se acomoda.

Atitudes que contam

A Pellegrino lançou, em março, em todo país, o programa Atitudes que Contam. A ideia, inicialmente, era ressaltar a importância do bom atendimento para a equipe de vendas, mas logo se percebeu que a campanha teria fôlego para se estender para toda a empresa.

São banners, cartazes, wobblers (material promocional colocado nas gôndolas, na altura dos olhos), folders, móbiles e orelhas de computador com dicas sobre postura, atendimento e relacionamento, entre outras.

“Ainda não temos resultados oficiais, mas já percebemos mudanças positivas no clima e boa adesão da equipe. São melhorias de nossos processos e comprometimento de todos na excelência de atendimento. Costumamos dizer para as pessoas não se conformarem com coisas mal feitas, e desta forma vamos ampliando o ambiente de qualidade total”, explica o gerente nacional de vendas da Pellegrino, Marco Augusto Avelino, responsável pelo programa.

Confira acima as dicas dadas no programa.


Autoconhecimento. Uma pesquisa realizada pela Catho dois anos atrás, com mais de 12 mil profissionais de empresas privadas em todo o Brasil, revelou que dentre as primeiras cinco razões que levam à demissão, três remetem à personalidade, como não ter bom relacionamento com o grupo (17,8%), inaptidão para liderança (11,3%) e falta de dinamismo (3%). Para o consultor Eduardo Ferraz, que atua na área de gestão de pessoas com foco na neurociência comportamental, isso significa que as pessoas são admitidas pelo currículo e demitidas por atitudes inadequadas, que ele atribui a um baixo nível de autoconhecimento por parte do profissional.

Segundo ele, aquele com reduzida capacidade de se relacionar com as pessoas e consigo mesmo  (com pouca inteligência emocional, segundo definição mais ou menos recente) tem um autoconhecimento limitado. “E esse é o maior problema. Normalmente, este indivíduo não tem consciência de seus comportamentos, e tem dificuldade em avaliar o impacto que suas atitudes causam nos demais”, afirma.

Atitudes legais

1.Conheça o terreno. De uma maneira geral, uma atitude de prontidão é sempre bem vista, desde que não seja confundida com intromissão. Alguém que acaba de chegar a um emprego e já quer dar palpite em tudo poderá criar uma imagem de palpiteiro, e não de alguém que entenda do que está falando. Por isso, o melhor mesmo é ter certeza de conhecer muito bem o ambiente antes de começar a fazer sugestões.

 

 

2. Seja disponível. Mostrar disposição para o trabalho quando alguém pede algo, ou até mesmo para ajudar os colegas, sempre conta pontos aos olhos do chefe. O profissional deve entender que ele está ali para gerar receita para a empresa, e isto independente da área onde trabalha. Se o seu trabalho puder ser suprimido sem que isso afete a receita, então ele está com um sério problema: é totalmente dispensável.

3. Seja criativo. A criatividade é uma característica em alta em qualquer mercado que lute contra a concorrência para sobreviver. Quando todas as empresas têm acesso aos mesmos produtos, com as mesmas características e um padrão idêntico de qualidade, são os colaboradores criativos que ajudam a empresa a se destacar no mercado.

4. Faça o que gosta. Os profissionais que trabalham diretamente em contato com o cliente precisam realmente gostar do que fazem. Precisam ser pessoas alegres, rápidas no atendimento, inteligentes e conhecedoras das necessidades dos clientes e das soluções que a loja tem para oferecer. Pessoas prestativas agradam e fidelizam os clientes, o que é muito importante em um mercado com uma concorrência acirrada.

Fonte: Mário Persona

 “O primeiro e grande segredo é o autoconhecimento: é preciso que, antes de qualquer coisa, percebamos o efeito que nossos comportamentos estão tendo sobre as pessoas no ambiente de trabalho e até mesmo na vida pessoal. Para isso, é essencial que se leve em consideração os feedbacks recebidos, seja de um superior, um subordinado ou de parentes e amigos”, explica Ferraz.

Elizabeth Zamerul, médica psiquiatra, pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e especialista em treinamentos e coaching empresarial, diz que pessoas com alta inteligência emocional tendem a ser produtivas e assertivas e costumam ter uma excelente rede de relacionamentos, facilitando o crescimento profissional. “Um vendedor com alta inteligência emocional tende a se preocupar com o sentimento dos clientes, costuma ser flexível, lida bem com as diferenças e tende a ter maior número de fechamentos por ser mais empático”, avalia Elizabeth.

O que realmente vai diferenciar um profissional é fazer o que gosta. “Os profissionais que trabalham diretamente em contato com o cliente precisam realmente gostar do que fazem. Precisam ser pessoas alegres, rápidas no atendimento, inteligentes e conhecedoras das necessidades dos clientes e das soluções que a loja tem para oferecer. Pessoas prestativas agradam e fidelizam os clientes, o que é muito importante em um mercado com uma concorrência acirrada.”

Quando os valores coincidem

O que o colaborador deve se perguntar antes de aceitar um trabalho ou emprego é qual o tipo de cultura da empresa. Se a cultura for aderente aos seus valores pessoais, deve ir sem medo. O resto vai se moldando com a própria trajetória dentro da organização.

Segundo Richard Barrett, um dos maiores consultores mundiais na área de cultura organizacional, o colaborador que possui dois valores pessoais encontrados na cultura da empresa gosta do trabalho e oferece um bom comprometimento para a organização, consequentemente será reconhecido por isso.

O colaborador que possui três valores pessoais encontrados na cultura da empresa gosta muito do seu trabalho e oferece o seu melhor através do comprometimento, consequentemente será visto como uma pessoa preciosa dentro da organização.

O colaborador que possui quatro valores pessoais encontrados na cultura da empresa é apaixonado por seu trabalho e oferece muito mais do que comprometimento. Ele trabalha como se a empresa também lhe pertencesse. É o empregado que veste a camisa, sem que ninguém lhe peça ou exija isso. É fiel à empresa e provavelmente nada fará com que ele saia para uma concorrência, ou por questões salariais. Ele trabalha pela causa da empresa.

Fonte: Vânia Faria

 

Motivação. As atitudes dos empregados dependem, também, de um bom ambiente de trabalho. E aqui o empregador tem um importante papel a cumprir. “Quando o clima fica mais leve, os funcionários se sentem mais confiantes, e isso é percebido pelo cliente”, afirma Elizabeth. “Toda venda, não importa o produto ou serviço, é um momento emocional, quando o profissional de vendas cria um clima de cordialidade, investiga as necessidades do cliente e o ajuda a resolver seus problemas com as soluções que a empresa oferece”, acrescenta Persona. “Se o vendedor perder a oportunidade de criar um clima positivo logo de início, poderá gerar desconfiança no cliente e comprometer a venda. A emoção é o que leva à ação. Portanto, um cliente emocionado positivamente irá comprar com maior confiança e satisfação.”

Baixa rotatividade

Disponibilidade e muita disposição. Essas são as palavras-chave para Júlio César Naves, sócio da Jaicar Auto Peças, em Goiânia (GO), para garantir o sucesso da empresa do lado de dentro e de fora do balcão. Ele está acessível a qualquer pessoa e em qualquer horário. Prova disso é que retornou a ligação da Revista Pellegrino em pleno feriado, desculpando-se pela demora de menos de 24 horas.

A atitude do lojista reflete-se na equipe de mais de 100 funcionários, onde há baixíssima rotatividade. “Muitos foram meus colegas quando eu era empregado”, conta. César começou a trabalhar com 13 anos, como entregador de peças, e está à frente da Jaicar há 20. “Batalho muito pelo bom atendimento, e um dos meus maiores prazeres é estar no balcão com o cliente, onde o clima é bastante descontraído e há muita colaboração”, pontua. “A integração é fundamental nas vendas.”

Ajustes de rota, quando necessários, são feitos com muita conversa e capacitação. A Jaicar acabou de inaugurar um auditório que abriga não só as reuniões semanais, mas treinamentos. O mais recente foi além das técnicas de vendas e do cotidiano da empresa: incluiu comportamento e até educação financeira, e se estendeu para toda a equipe, de A a Z. “Na contratação, procuramos escolher quem tem perfil de vendedor, mas investimos bastante na formação”, conclui.

A motivação é o que torna um ambiente mais saudável, garante Renato Grinberg, especialista em carreiras e diretor-geral da Trabalhando.com. “Muitos empresários acreditam que apenas aumentar o salário, por exemplo, pode motivar, mas não é verdade”, diz. Uma pesquisa realizada recentemente pela Trabalhando.com mostrou que um dos principais pontos que mantêm os profissionais motivados é o bom ambiente de trabalho. Para 52% dos entrevistados, a boa convivência com colegas e com seus gestores afeta seu comportamento profissional e pessoal e impacta nos resultados. Os demais fatores apontados como importantes são as oportunidades de promoção (22%), possibilidade de aumento de salário (14%) e status da empresa (5%). Esses resultados comprovam que, quanto melhor o clima, mais produtivas são as pessoas e todos ganham com isso. “Para que o ambiente seja saudável, são necessárias algumas atitudes, como trabalhar bem em equipe, trazer boas ideias, estar envolvido em todos os processos, respeitar os gestores e principalmente admirá-los. Para motivar uma equipe, não há uma simples receita, é preciso entender as personalidades, necessidades e expectativas das pessoas e ter um plano de ação a partir dessa análise.”

Engajamento

Todo mundo, sem exceção, deixa um rastro durante a vida, e este passado aponta uma clara tendência futura, garante o consultor Eduardo Ferraz. “A personalidade, ao contrário do que muitos pensam, é relativamente previsível.”

Para Daniele Mendonça, gerente de negócios da Across Consultoria de Recursos Humanos, a palavra de ordem no mundo corporativo é engajamento. “Na década de 90, a prioridade era o salário. Hoje a relação com o trabalho é diferente: os profissionais querem uma colocação que alie satisfação, e isso pode vir, também, de desafios e novos aprendizados. A realização pessoal é fundamental.”

Ter claro aonde chegar. A consultora diz que, na contratação, é importante que o empregador tenha claro aonde quer chegar. “A partir daí, é possível definir que tipo de profissionais –e com que competências– precisa atrair e engajar no seu negócio.”

Competências técnicas, por exemplo, são fundamentais para que o candidato tenha o respeito do grupo. “Se eu nunca vendi, como vou coordenar um time com essa função?”, exemplifica Daniele. Na entrevista, o empregador deve pedir exemplos de como o candidato se saiu em determinadas situações. “Se ele diz que é flexível, peça que relate como agiu diante de uma reclamação de cliente, por exemplo.”

Fácil não é. Mas com um pouco de treino, é possível fazer contratações mais assertivas –e alavancar ainda mais o seu negócio.


O cliente, seu rei. Para quem lida com o público, é muito importante ter a atitude de servir, lembra Westin. Atender bem um cliente gera empatia, desejo e vontade de comprar não só uma, mas outras vezes. “Toda vez que somos bem atendidos numa loja, num restaurante, a gente tem vontade de retornar àquele lugar”, exemplifica o consultor. “Servir bem diferencia o negócio e a empresa. Se a empresa vai bem e cresce, o profissional que ali está terá mais oportunidade de carreira, crescimento profissional etc. Vale lembrar que o Brasil é um país da cultura do relacionamento; portanto, servir bem cativa o cliente, e gera mais negócios.”

Vânia Faria, diretora executiva da consultoria Evolução Humana, endossa a opinião de Westin. “Empatia é o primeiro passo para conquistar o público, interno ou externo. Mesmo que o cliente seja visto uma única vez na vida e por poucos minutos, o atendente deve ser capaz de gerar empatia rapidamente e fazer um bom atendimento. A gentileza, independentemente de estar em um ambiente tumultuado e rápido, deve ser cultivada por estes profissionais. Como diz o ditado popular, quando você é gentil com as pessoas verá o mundo ser gentil com você. Comece por você mesmo fazendo a diferença no mundo.”

Enxergar o colega de trabalho como parceiro, e não adversário, faz uma baita diferença. “É comum encontrarmos esportistas que sabem ganhar e sabem perder em suas modalidades, e até são amigos de seus adversários quando estão fora das quadras ou dos ringues. “Procure profissionais colaborativos e com senso de equipe, além de competitivos e com garra para vender, e você terá um ambiente propício ao crescimento da empresa. De que adianta ter um time competindo entre si, em vez de competir no mercado e com aqueles que são realmente seus adversários, ou seja, os concorrentes?”, questiona Persona.

 

Foco não é estresse

Ailton Lima, sócio-proprietário da Autopeças Belém (PA) há 18 anos, já ouviu diversas vezes dos empregados que anda estressado. Erro de interpretação, garante: é questão de foco. O volume de trabalho nas duas lojas, em Pedreira e Mangueirão, tem sido tão grande que não sobra tempo para nada. Hoje, seu maior objetivo é contratar um coordenador-geral, alguém que possa ser o seu segundo. “Um MacGyver [alusão ao personagem de série de TV que resolvia facilmente todo tipo de problema]”, especifica.

Com uma equipe de 40 pessoas e boa carteira de clientes –e ainda sem o sonhado faz-tudo–, Ailton tenta participar dos momentos de descontração do grupo, como as partidas de futebol, mas está difícil.

Ailton acredita que a maneira mais eficiente de conhecer a sua força de trabalho é no convívio. Alguns de seus empregados começaram no estoque e mostraram potencial para trabalhar em áreas mais estratégicas, como vendas. “Em qualquer equipe há sempre os mais motivados, aqueles que buscam resultados e querem números.”

 

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