“Eu te amo” ou “eu o amo”?

“Eu te amo” ou “eu o amo”?

28/06/2013

Texto | Professor Tibúrcio Penaforte

Uma leitora pergunta se, ao fazer uma declaração de amor ao filho que está em seu colo, ela deve dizer “eu te amo” ou “eu amo”.

A maioria das pessoas conjuga o verbo amar com o emprego do pronome oblíquo da segunda pessoa do singular te. Isso não é errado, se houver uniformidade de tratamento em toda a fala, carta ou discurso. Ou seja, se nossa leitora tratar seu filho sempre por tu e conjugar todos os verbos nesta pessoa gramatical. Agora, se ela costumeiramente trata seu filho por você, e não por tu, aquele te seria um intruso caído do céu sem pára-quedas.

Se ela trata seu filho por você, e não por tu(mais comum no Sul e em alguns Estados do Nordeste), o pronome oblíquo adequado é o da terceira pessoa do singular o.

Os pronomes pessoais são divididos em retos (eu,tu,ele,nós,vós,eles) e oblíquos (eles me, te, o, nos, vos, os etc.). Esses pronomes são classificados conforme a pessoa gramatical (1ª, 2ª ou 3ª do singular ou do plural). O pronome oblíquo o a que estamos nos referindo (eu o amo) corresponde à 3ª pessoa do singular (ele).

É justamente nesta pessoa gramatical que se enquadram os pronomes de tratamento –inclusive o você. Portanto, por mais que estejamos acostumados a dizer eu te amo, não se envergonhe. Diga a seu filho eu o amo. Ouvindo isso sempre, ele, certamente, será uma criança mais saudável e equilibrada. E preparada para lidar com nosso idioma.