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PROMOÇÃO À VISTA

PROMOÇÃO À VISTA

26/04/2016

Recompensar os talentos da casa com um cargo de liderança é uma atitude muito bem-vinda, porém exige preparo e determinação do funcionário para assumir os desafios e armadilhas da nova função

 

Por Rosiane Moro

 

Não importa o tamanho da empresa, conquistar um cargo de chefia é o sonho de grande parte dos colaboradores, principalmente para quem sempre defendeu os interesses da organização, buscou alternativas para os problemas e sugeriu mudanças para otimizar as tarefas. Galgar o novo posto é motivo de orgulho, dever cumprido, maior salário e poder. Só que é bom lembrar que junto com a promoção vem uma série de desafios, novas atividades e padrões de conduta que precisam ser ajustados.

Pode parecer meio drástico, mas a primeira lição que todo líder aprende é que vida no topo é muito mais solitária. E não se iluda achando que isso só acontece com quem deixa o sucesso subir à cabeça. Pelo contrário, é um processo natural e inerente do comportamento humano.

“Assim que recebe uma promoção, o funcionário passa automaticamente por um processo de isolamento por parte da antiga equipe de trabalho. Isso acontece porque o grupo irá testar o novo modelo de gestão do colega e também sua eficiência. Para amenizar o impasse inicial, uma alternativa é reunir a equipe e explicar os motivos que o levaram ao novo cargo e evidenciar que isso é um movimento muito bom dentro da empresa e que pode acontecer com qualquer um”, ensina a gerente de desenvolvimento da Enora Leaders, Clarissa Santiago.

O próximo desafio será o de mostrar como será o seu papel na administração da equipe. As relações pessoais construídas fora do ambiente de trabalho podem ser mantidas, mas é bom deixar claro que dentro da empresa a convivência será estritamente profissional. Para isso, é importante que, ao assumir o cargo, o gestor aprenda a delegar as tarefas que fazia anteriormente e passe a gerenciar o trabalho do departamento como um todo. “É uma tendência as pessoas continuarem a fazer o que gostavam e evitar as árduas tarefas impostas para as lideranças. Mas nesse momento é essencial que o executivo tenha tempo livre para conhecer melhor o negócio, estabelecer as prioridades de trabalho e elaborar sua estratégia de ação. Afinal, ele estará sendo cobrado não só pela equipe, mas também pela diretoria da empresa”, explica Clarissa. O lado bom da história é que o tempo passado ao lado dos colegas irá facilitar as atribuições das tarefas, já que conhece de perto as habilidades e dificuldades de cada colaborador.

 

Aprendendo na prática

É muito comum durante esse rito de passagem o profissional ter sua capacidade colocada à prova. Por isso, é sempre bom buscar ajuda para se autoconhecer, treinar os pontos fortes e aperfeiçoar o que não está tão bom. Porém, a gerente alerta para o fato de que apenas 20% do sucesso profissional é conquistado por meio de aprendizagem formal, como cursos e livros. Os outros 80% vêm da prática, das atitudes e habilidades de gerir o departamento no dia a dia. “Um conselho é tentar se posicionar como uma referência, não precisa ser aquele chefe que sabe tudo de bate pronto, mas que vai atrás do que é necessário para a execução das tarefas. O importante é ser transparente e estabelecer uma onda de confiança”, garante.

 

Injeção de motivação

Outra atribuição do novo cargo é fazer com que o time esteja sempre motivado. No momento em que a empresa passa por uma troca nas lideranças é comum as pessoas se esforçarem um pouco mais para mostrar competência, mas depois de um determinado período, a motivação cai e ai é preciso muita habilidade do líder para tirar o máximo resultado de sua equipe. “Um erro é achar que todos se motivam pelo mesmo ambiente. Somos diferentes e nos motivamos por coisas distintas. Então, o líder precisa conhecer seus liderados e dar-lhes o que eles necessitam para executar suas tarefas de forma efetiva”, analisa Irene Azevedo, diretora de transição de carreira e gestão da mudança da consultoria Lee Hecht Harrison. Compreender as motivações de cada um também o ajudará a não cair na armadilha do paternalismo ao buscar apoio para suas ações nos colegas preferidos, algo bem latente nos casos de promoção.

 

Contrato

Uma técnica para saber exatamente o que cada um deseja é desenvolver uma espécie de contrato com o colaborador. “A tarefa é simples: basta um papel onde o colaborador lista suas expectativas a respeito da gestão do chefe e menciona o que pode oferecer. Logo abaixo, o chefe faz o mesmo exercício, descrevendo suas expectativas e o que pode o oferecer e ambos assinam. Dessa forma, o líder irá imprimir uma nova dinâmica para as relações com seus colaboradores”, sugere Irene.

Essa atitude será essencial para demostrar o quanto se preocupa com os anseios do grupo e que será um líder aberto a ouvir as exigências de cada um. “Saber ouvir está associado à humildade, e essas características juntas formam o kit de sobrevivência de quem assume um novo cargo”, completa Irene.


Jhonatan (1o à dir., em pé), da RB Peças e Acessórios

De funcionário a patrão

A trajetória profissional de Jhonatan Alexssandro Amadeu é um tanto peculiar. Filho de um dos sócios da RB Peças e Acessórios, Antonio Carlos Amadeu, de Jaboticabal (SP), o jovem trabalha na empresa desde os 15 anos, sempre sob a supervisão do outro proprietário. Começou sua carreira no estoque, passando pelo faturamento, vendas e cobrança até chegar à administração. Mesmo com larga experiência, ao assumir a sociedade no lugar do antigo tutor, Jhonatan precisou de muita habilidade para provar que era capaz de gerir o negócio. “A responsabilidade era grande. Tinha uma dívida que precisava ser sanada, além do desafio de gerenciar os antigos colegas. Em alguns momentos, foi preciso a interferência do meu pai”, recorda. Jhonatan confessa que herdou muito do caráter centralizador do antigo chefe e que continua a fazer muitas das antigas atividades. “Tenho dificuldade em delegar e isso é algo que preciso rever em breve.”


Jonas (2o a partir da esq), Mark (4o) e equipe da Auto Peças Celmak

Incentivo aos talentos

Jonas Rohling, gerente da Auto Peças Celmak, em Pomerode (SC), trabalha na empresa há 23 anos, e quando começou era o único funcionário. Junto com os proprietários Celso e Mark, ajudou a loja a crescer, Os três pesquisaram novas oportunidades de negócios e ampliaram o leque de atividades com serviços de oficina e auto-elétrica.

Assim como teve seu talento reconhecido, gosta de buscar talentos dentro da própria casa para assumir os cargos de liderança. “Além de ser mais justo, acho mais fácil porque conheço a pessoa e sei exatamente no que ela é boa”, conta. Rohling aposta também no crescimento da equipe, desafiando com novas atividades. “Quando percebo que o profissional se sobressai, vou dando valor ao seu interesse, assim ele pode aprender e se desenvolver na carreira.” Apesar de valorizar a prática, a Celmak também incentiva os funcionários a buscarem cursos de atualização. “O que não pode é ficar parado”, decreta Rohling.

 

SAIBA MAIS

CLARISSA SANTIAGO (ENORA LEADERS)

(11) 4890-2226

clarissa.santiago@enora.com.br

www.enora.com.br

 

IRENE AZEVEDO (LEE HECHT HARRISON)

(11) 5503-3500

contato@lhh.com

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