Layout atraente começa lá fora

Layout atraente começa lá fora

19/07/2017

É lá dentro que o cliente será “fisgado”. Mas a fachada, primeiro contato com a loja, pode ser um irrecusável convite para ele entrar. O que fazer para que a relação seja duradoura?

 

 

Por Regina Ramoska

 

Dizem que a primeira impressão é a que fica –mas trata-se de uma meia verdade. Não é incomum ficarmos de queixo caído com a beleza de uma pessoa e nos decepcionarmos assim que ela começa a falar. Fazendo uma analogia com o varejo, muitas vezes nos encantamos com a fachada de uma loja, mas por inúmeros motivos –bagunça, preços exorbitantes, atendimento ruim etc.– não voltamos nunca mais. Vale, também, o inverso: portinhas acanhadas podem esconder verdadeiros tesouros... desde que sejam descobertas.

São vários os fatores que dão visibilidade ao negócio e atraem o público, e nem sempre quem vai abrir ou reformar a loja gasta corretamente: ou contrata um arquiteto que não entende de varejo ou um serralheiro que cria uma placa ou fachada sem a mínima noção do que ela precisa para ser atraente, explica a presidente do Instituto de Estudos em Varejo (IEV), Regina Blessa. “A fachada determina se vamos ou não entrar em um estabelecimento. A primeira preocupação é ser percebido na rua. A segunda, mostrar de que se trata. Passamos diariamente em frente a várias lojas e não sabemos o que ela faz ou vende. Isso é péssimo, principalmente para um negócio local”, destaca a publicitária.

 

Claro e objetivo

Cada cidade tem sua legislação, e é preciso respeitar os padrões para mostrar, logo de cara, ao que veio. Segundo Blessa, é comum os lojistas se preocuparem mais com o logotipo do que com a explicação sobre o negócio.

“Na placa, esqueça desenhos e ilustrações que nem são percebidas de tão pequenas. Limite-se a explicar o que você faz e assine com um nome pequeno e um telefone. Em primeira instância, o que interessa ao cliente é saber se ali é um petshop, uma oficina mecânica ou uma clínica. O tamanho de placa não é documento, mas a visibilidade de quem vem dos dois lados da rua é fundamental. Coloque-se a uns 10 metros na posição de motorista ou transeunte para fazer a avaliação, e repita o processo no computador. Não analise apenas a visibilidade de frente, mas de lado. Colocar alguns carros ou motos dentro da loja não funciona, é preciso especificar o que se faz lá dentro”, ensina a especialista.

Imóveis maiores e mais vistosos não precisam de muita cor, mas os pequenos e escondidos precisam reforçar sua presença com amarelo, laranja ou vermelho. Tente sempre se destacar dos vizinhos: se todos são coloridos, seja branco, ou o inverso. Outro cuidado é evitar estrangeirismos no nome da empresa, o que afasta as pessoas que não entendem ou têm vergonha de mostrar que não sabem ler corretamente o que está escrito.

 

Dentro da loja

Encantado com a fachada, o cliente entra na loja –e o pulo do gato será fazer com que a experiência de compra seja a melhor possível, como detalha o diretor da Rede PitStop Paulo Fabiano Navi.

“Não conhecemos casos de sucesso que hoje não associem ações e relações criadas dentro e fora da empresa. A antiga fórmula ainda funciona, mas ela não é mais um diferencial, ela é uma necessidade, algo fundamental na loja. O interior da loja só é atrativo quando o bom atendimento, o balconista bem capacitado, além do bom relacionamento funcionam aliados às ações de fora da empresa. Nos tempos de hoje, o atendimento de balcão conta com mais tecnologia, o que garante mais velocidade e agilidade”, pontua o executivo.

“Na Rede PitStop, temos um bom exemplo para esse cenário. Ao mesmo tempo em que capacitamos o balcão para vender e conscientizamos o empresário sobre a importância de focar seu negócio na venda, oferecemos o Enciclopeça, um catálogo automotivo com o database mais completo do mundo, o TECDOC.”

 

Compras por impulso

Como fazer com que o cliente passe mais tempo na loja e se interesse por outros itens, gerando vendas por impulso? Navi explica que adequar o negócio aos novos padrões visuais de aceitação do novo consumidor é o primeiro passo para se buscar novos objetivos em vendas, e são esses primeiros passos que levarão o empresário a uma sequência de movimentações e resultados. “Hoje em dia, uma empresa que ofereça acessibilidade, bom fluxo de estacionamento, conforto e bom atendimento fatalmente chegará a outros níveis de vendas. Mas além disso o vendedor precisa estar buscando isso. Então a empresa precisa oferecer também ao colaborador adequações e reconhecimento, e essa harmonização entre bem estar do cliente e objetivo de vendas do vendedor é que precisa ser planejada, implantada e mensurada.”

 

Uniformes

Com todo esse capricho, certamente o cliente está se sentindo “em casa” e motivado a comprar mais e mais na loja, mas corre o sério risco de pagar um mico se pedir ajuda a outro consumidor, imaginando ser ele o atendente. Além da questão visual, pois facilita a identificação do grupo, uniformes mostram profissionalismo e evitam que alguém apareça com uma roupa rasgada.

Calma, não precisa providenciar terno e gravata para a sua equipe: uma camiseta polo na cor e com o logotipo da empresa já é um diferencial. Se quiser ir além, que tal inserir, também, o nome do seu colaborador? Com tanta proximidade, vai ser difícil o cliente não virar freguês.

 




Alfredo, da Altese Reposição Automotiva

Menos é mais

A fachada “clean” em azul e branco, apenas com o nome da empresa e o logotipo das marcas que comercializa é o suficiente para identificar as seis lojas da Altese Reposição Automotiva (RJ). Dentro, as paredes brancas e a organização chamam atenção –além do ar condicionado, item de primeira necessidade na capital fluminense. A mudança ocorreu há cerca de sete anos com o objetivo de acolher um novo público, o consumidor final, incluindo as mulheres. “Nos inspiramos nos conceitos de organização adotados pelas farmácias e house centers”, detalha o proprietário Alfredo Corapi. “Para estimular a compra por impulso, colocamos gôndolas com itens para cuidados com o carro e ferramentas, que fazem muito sucesso.” Outra preocupação do empresário foi uniformizar os colaboradores com cores diferentes. Gerentes e supervisores vestem branco; o pessoal do marketing, cinza; os caixas, azul. Fica fácil para o cliente se dirigir ao profissional com quem deseja conversar.

 


Horácio, da Tottori Auto Parts

Imagem alinhada

A fachada da Tottori Auto Parts se destaca em uma movimentada avenida de Diadema, na Grande São Paulo. Há cerca de dois anos, o proprietário Horácio da Cunha Santos trocou o azul desbotado da frente da loja pelo vermelho, inseriu o site e telefones e caprichou na iluminação, que inclui potentes refletores. O objetivo da mudança foi não apenas atrair o público local, mas alinhar a imagem física da empresa com a virtual. Hoje, o e-commerce gira três vezes mais do que as vendas no balcão –parte da equipe da Tottori trabalha no manuseio e despacho dos componentes para todo o Brasil, mas muitos clientes preferem retirar as compras pessoalmente. “O foco da nossa loja é a venda de acessórios, e é comum o consumidor levar mais do que precisa ao ver outros produtos expostos, como tapetes, palhetas etc.”, comemora o proprietário, que deixa os “objetos de desejo” bem à mostra.

 

SAIBA MAIS

REGINA BLESSA (INSTITUTO DE ESTUDOS EM VAREJO)

(11) 2263-3037

regina@blessa.com.br

www.blessa.com.br

PAULO FABIANO NAVI (REDE PITSTOP)

marketing@pitstop.com.br

www.pitstop.com.br