Metal Leve: recentes aquisições devem ampliar presença no aftermarket

Metal Leve: recentes aquisições devem ampliar presença no aftermarket

19/07/2017

De acordo com o gerente de Vendas e Marketing no Brasil, Edvaldo de Souza, além da compra da LETRIKA e da divisão de gerenciamento térmico da Delphi, nos últimos dois anos, contribuirão o crescimento em filtro e a manutenção da participação na linha de componentes para motor

 

Por Paulo Carneiro

 

REVISTA PELLEGRINO Qual é a estratégia da Mahle em sua proposta de transformar ideias em novos produtos? Qual é o papel do Centro Tecnológico de Jundiaí nisso?

EDVALDO SOUZA O Centro de Tecnologia está instalado em uma área de proteção ambiental na Serra do Japi. O edifício é composto por três prédios independentes e segue os preceitos de arquitetura sustentável. Cerca de 300 pessoas trabalham no local, das quais 200 estão envolvidas diretamente com pesquisas. Trata-se do segundo maior centro de tecnologia da MAHLE no mundo, responsável mundial pelo desenvolvimento de anéis e camisas de cilindros de motores, além de referência em motores flex fuel. Contamos com mais 6.000 colaboradores nos centros de pesquisas e desenvolvimento, sendo que as pesquisas e desenvolvimento representam 5,7% do total das vendas globais da MAHLE e vêm sendo o “driver” do crescimento. Com isso, apesar do momento difícil que atravessa o setor automotivo brasileiro, a MAHLE Metal Leve mostra que continua se destacando no cenário nacional.

 

RP Ainda no campo da inovação, de que forma as soluções tecnológicas de ponta chegam a beneficiar os clientes locais?

EDVALDO Há sinergia entre a coordenação global e a atuação local. Essa sinergia habilita o uso de recursos regionais (universidades, clientes, fornecedores etc.), independente da família de produto. No Brasil existe um programa de inovação MAHLE com mais de 150 novas ideias/ano, das quais 30% são espontâneas, 50% através de campanhas de indução e 10% através de parcerias externas com universidades e inventores, e mais de 70% dos novos produtos lançados foram vendidos para pelo menos uma aplicação comercial. Para o aftermarket tivemos recentemente o lançamento do Filtro BLINDAGUA®, que é uma evolução no sistema de separação de água no diesel.

 

RP Em 2016, as receitas de exportação e aftermarket da empresa no Brasil corresponderam a 75% do total das vendas. Quais são as projeções para 2017, considerando a persistência da crise econômica?

EDVALDO Embora não tenhamos previsibilidade nem a exata dimensão da instabilidade política e econômica do país, alguns efeitos continuam a surpreender, como a inflação, resultado da combinação do hiato do produto negativo, choques de ofertas e subida de preços administrados, permitindo uma perspectiva de redução de juros mais rápida. Claro que as perspectivas macroeconômicas dependem de reformas estruturais e fiscais. Dessa forma, mesmo com o panorama de retração da economia pelo qual estamos passando, a empresa apresenta uma posição sólida, graças ao equilíbrio nas fontes de receita da companhia, quais sejam: montadora local, montadora exportação e aftermarket.

 

RP Qual é o peso específico do aftermarket no Brasil? Qual a estratégia para aumentar essa participação?

EDVALDO O aftermarket representa aproximadamente 30% do faturamento da região América do Sul. Acreditamos que a ampliação da fatia do negócio será possível com a manutenção de nossa participação na linha de componentes para motor, no crescimento em filtros e turbocompressores, e com a expansão do portfólio de produtos, dada a recente aquisição da LETRIKA (reconhecido fabricante de componentes eletrônicos e mecatrônicos) pelo grupo MAHLE. Outra importante novidade foi a aquisição da divisão de gerenciamento térmico da Delphi. [...]

RP Qual é a política de relacionamento da Mahle com os distribuidores e varejistas?

EDVALDO Os distribuidores desempenham papel de fundamental importância na cadeia de distribuição, disponibilizando os produtos nos mais variados pontos do país com uma competência que os fabricantes não teriam. A empresa sempre teve um estreito relacionamento com todos os setores da distribuição: distribuidores, varejos e aplicadores. Somos reconhecidos pelos varejos e aplicadores como a marca mais lembrada em componentes para motor e uma das três mais lembradas em sistema de filtração.

 

RP Um dos debates mais quentes do momento é a tendência de expansão do comércio eletrônico de autopeças. Qual é sua opinião sobre esse canal de vendas?

EDVALDO Estamos vivendo tempos de hiperconectividade, onde o consumidor passa a maior parte de seu dia conectado à internet. Segundo a revista “e-commercebrasil”, nos Estados Unidos o E-Tailing (venda on-line) de peças e acessórios deve corresponder a 10,5% do comércio eletrônico norte-americano e deve faturar mais de US$ 40 bilhões, com previsão de crescimento de 20% ao ano. Na Europa, as vendas on-line representaram algo em torno 6% das vendas totais. No Brasil, a venda on-line ainda é tímida e representa menos de 2% da movimentação financeira do e-commerce brasileiro, basicamente voltada a acessórios e pneus. Embora incipiente, existe um grande espaço para o crescimento e fortalecimento do e-commerce de autopeças, provavelmente seguindo até as tendências de one stop shop [um único ponto de venda que reúne tudo que se necessita em termos de produtos e serviços afins].

 

RP Como o Sr. vê o mercado brasileiro daqui a 5 anos?

EDVALDO É difícil fazer uma previsão em função da volatilidade econômica e política do Brasil. Entretanto, para o aftermarket, alguns fatores podem continuar influenciando positivamente a performance do setor, como o aumento da localização em função da redução das importações, aumento da frota, a maior conscientização da manutenção preventiva, recuperação das vendas da linha diesel com melhora da economia e o aumento da reparação do veículo usado em função da queda de venda do veículo novo.

 

RAIO-X MAhle Metal Leve

 

Produtos: pistões, anéis, kits de motor, camisas de cilindro, válvulas, juntas, filtros e turbos

Faturamento global (2016): 12,3 bilhões de euros

Colaboradores: total de 77 mil

Operações globais: 170 plantas industriais em 34 países, 15 centros de desenvolvimento localizados na Alemanha, Grã-Bretanha, Luxemburgo, Eslovênia, EUA, Brasil, Japão, China e Índia

Operações no Brasil: 6 plantas de produção, em Arujá, Jaguariúna, Mogi Guaçu (2 unidades) e São Bernardo do Campo (SP); Itajubá (MG); Centro de Distribuição do Aftermarket em Limeira e Centro Tecnológico de Jundiaí (SP)

Mais informações: www.mahle-aftermarket.com