Seguro e favorável

Seguro e favorável

19/07/2017

Com o aumento da violência em grandes e pequenos centros urbanos, o seguro do negócio deixou de ser uma opção: é obrigatório. Como escolher o melhor para o seu negócio?

 

Por Regina Ramoska

 

Seguro de carro muita gente faz. Quem aluga um imóvel paga sem reclamar a apólice que reembolsa o proprietário em caso de incêndio, queda de raios ou explosões. Afinal, é obrigatória. Mas e o negócio, como fica se houver algum imprevisto? Hoje, seguro não é despesa, e sim um investimento que pode ser a única maneira de recomeçar se houver um incidente cabeludo –que a gente torce para que nunca aconteça, claro. É importante, porém, entender direitinho qual a sua necessidade na contratação.

“O seguro empresarial representa a melhor alternativa para garantia do patrimônio da empresa”, frisa o presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Danilo Silveira. As seguradoras oferecem a cobertura básica e a multirrisco. Em geral, a primeira opção, básica, cobre incêndios de qualquer natureza, queda de raio e/ou explosão de gás ocorridas dentro da área do terreno ou edifício onde estiverem localizados os bens segurados, mas outras garantias podem compor o pacote, de acordo com o interesse do segurado, como alagamento e inundação, danos elétricos e responsabilidade civil. “Os riscos que apresentam maior severidade e podem impactar o negócio são os que devem ser objeto de contratação”, pontua Silveira. Vale frisar que o seguro básico imposto na locação só protege o proprietário do imóvel. Se a loja pegar fogo, ele será indenizado de acordo com o valor contratado, e o locatário arcará com todo o prejuízo de estoque, maquinário etc., a menos que tenha um seguro multirrisco.

 

Gerencie o risco

As apólices multirrisco são mais abrangentes e incluem, por exemplo, proteção contra roubo de equipamentos e valores, lucros cessantes, pagamento de aluguel, recomposição de documentos, fidelidade de funcionários, responsabilidade civil etc. Muita gente não sabe o que cada item compreende e aceita seguros “empurrados”, muito comuns quando se faz algum tipo de negociação com o banco, e só descobre que sua real necessidade não está compreendida quando precisa da indenização. Daí a importância de um corretor de seguros experiente, capaz de identificar se a empresa não está desembolsando mais do que deveria em seguros por não fazer um gerenciamento de riscos adequado ao seu negócio, o que ajuda inclusive a baixar o preço. Vale destacar, inclusive, que a diferença de preço entre o seguro básico e o multirrisco não é discrepante e pode ser diluída no custo operacional do negócio.

“O corretor faz uma análise holística do negócio, considerando os riscos puros: administrativos (mercado e pessoas), materiais (área de produção, negligência, fraude, vandalismo, prédio, maquinário, estoque, incêndio, explosão) e financeiros (lucros cessantes, contratos etc.)”, explica o professor da Escola Nacional de Seguros e proprietário da Sektor Corretora de Seguros, Carlos André Meyer Sabóia Cordeiro.

Esse mapeamento ajuda a traçar estratégias para eliminar, minimizar ou transferir riscos para a seguradora. “Armazenar óleos ou produtos inflamáveis em locais apropriados minimiza muito os riscos bem como facilita a aceitação das seguradoras na hora de fazer o seguro. Instruir os colaboradores a usarem equipamentos de segurança (EPIs) sempre que necessário diminui o risco de acidentes”, exemplifica o especialista.

Segundo ele, é comum o empregador desconhecer as exigências sindicais. Muitas vezes, a convenção sindical da categoria exige alguma cobertura securitária de morte, acidentes ou despesas de funeral. Muitas vezes, o empresário não tem esse cuidado; ou, quando tem, está abaixo do que é exigido. Nos dois casos, se ocorrer um sinistro, a indenização sairá do caixa da empresa.

O gerenciamento de riscos está diretamente relacionado com a proteção do empreendimento e do empreendedor. “Conhecendo os riscos do negócio, o empresário saberá quais são seus pontos fracos e poderá tratá-los da melhor forma possível.”

 

O que vale a pena?

Quanto mais itens segurados, maior é o valor da apólice –mais uma vez, a análise de gerenciamento de riscos ajuda a compor a melhor opção para o contratante. O valor do seguro contra furto ou roubo, por exemplo, varia de acordo com a localidade do negócio. O reembolso de equipamentos como televisão ou computadores exige comprovação de que eles realmente estavam incorporados ao ponto comercial. Se o receio é de ter o movimento do caixa subtraído na ida ou volta ao banco, é possível acrescentar esse item à apólice.

“Uma cobertura que vale considerar é a de lucros cessantes, que garante, até o limite máximo, a indenização pelos prejuízos resultantes da interrupção ou perturbação no giro de negócios causada pela ocorrência dos eventos previstos na cobertura básica. Algumas seguradoras incluem danos elétricos, tumultos e vendaval. Já a cobertura de despesas fixas viabiliza o pagamento de salários por um período determinado”, destaca Carina Cesnik, sócia da Cesnik Seguros.

Cabe também ao corretor de seguros alertar o contratante sobre situações que não são cobertas, enfatiza Cesnik, lembrando que o segurado pode deixar de receber a indenização se o sinistro ocorrer por um risco excluído nas condições gerais da apólice. A corretora lembra, ainda, que as seguradoras têm prazo para reembolsar o cliente, mas a demora na entrega dos documentos pode atrasar o reembolso.

De acordo com levantamentos feitos em maio pela Sektor Corretora de Seguros e pela Cesnik Seguros, junto à Porto Seguro, Sompo e Tokyo Marine, o prêmio de uma cobertura básica saía por R$ 4.695,16, R$ 6.210,99 e R$ 9.382,33, respectivamente. Já uma cobertura completa, incluindo até lucros cessantes, ficaria em R$ 5.001,36, R$ 7.229,38 e R$ 11.147,70, nas seguradoras citadas.

 

Culpa concorrente

Uma fatalidade decorrente de uma peça defeituosa pode envolver até o proprietário da loja de autopeças, alerta Cordeiro. “A chamada culpa concorrente arrola no processo a montadora, a metalúrgica e até quem, em tese, não deveria ter esse ônus, que é o camarada que vendeu a peça. Na Europa e Estados Unidos, processos desse tipo são frequentes, e até o dono da loja provar que também foi vítima vai ter uma tremenda dor de cabeça”, garante o especialista, lembrando que, atualmente, muitas montadoras exigem de seus fornecedores apólices de responsabilidade civil que contemplem esses problemas.

 



Rúbia, da Gomes Autopeças

 

Desastres naturais

Não fosse o seguro empresarial, a Gomes Autopeças, de Campina Grande do Sul (PR), teria amargado prejuízos que comprometeriam drasticamente a saúde financeira da empresa. Há 15 anos, a sócia-proprietária Rúbia Fausel Gomes Coradin achou que valeria a pena investir em uma proteção contra desastres naturais, mas nem imaginava que um vendaval destelharia o prédio e arrancaria parte do forro. O reembolso do seguro fez toda a diferença na reconstrução e também após um assalto que resultou em perda de dinheiro e mercadorias. “O investimento é baixo diante dos benefícios que proporciona”, garante a varejista.

 


Patrícia, da Patrícia Auto Peças

 

Não é despesa

Um curto circuito ocorrido há quatro anos foi a causa de um incêndio que acabou com mais de 10% do estoque da Patrícia Auto Peças, em Vitória da Conquista (BA), além de comprometer a infraestrutura da loja, especializada na linha leve. Sem energia elétrica, a empresa permaneceu fechada por vários dias, o que comprometeu seu faturamento. “Além de comercializarmos diversos produtos inflamáveis, somos vizinhos de um posto de gasolina e de uma loja de tintas, o fogo poderia ter causado uma grande tragédia”, diz a proprietária Patrícia dos Santos Rocha. “Sempre vi o seguro como investimento no patrimônio, e não como despesa, mas fazia por precaução, nunca imaginei que um incidente como esse pudesse acontecer comigo. Graças ao seguro, pude reabrir a loja e dar continuidade ao meu negócio em pouco tempo”, afirma.

 

COBERTURA BÁSICA

 

Porto Seguro, Sompo, Tokio Marine

Cobertura Básica

500.000

500.000

500.000

Danos Elétricos

50.000

50.000

50.000

Roubo/Furto

100.000

100.000

100.000

Desmoronamento

50.000

50.000

50.000

Lucros Cessantes

100.000

100.000

100.000

Valor do Seguro

4.695,16

6.210,99

9.382,33

 

COBERTURA COMPLETA

 

Porto Seguro, Sompo, Tokio Marine

Cobertura Básica

500.000

500.000

500.000

Danos Elétricos

50.000,00

50.000,00

50.000

Roubo/Furto

100.000

100.000

100.000

Desmoronamento

50.000

50.000

50.000

Quebra de Vidros

30.000

30.000

30.000

Perda e Pagamento de Aluguel

50.000

50.000

50.000

Lucros Cessantes

100.000

100.000

100.000

Responsabilidade Civil

50.000

50.000

50.000

Responsabilidade Civil Empregador

50.000

50.000

50.000

Valor do Seguro

5.001,36

7.229,38

11.147,70

·         Simulações realizadas pela Cesnik Seguros em maio/2017

 

 

 

 

SAIBA MAIS

FENSEG

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(41) 99975-2961

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(12) 4109-0551

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