
AS NOVAS GERAÇÕES PRECISAM DO KNOW-HOW QUE SÓ OS VETERANOS TÊM. E ESTES DEVEM SER PACIENTES PARA ENSINÁ-LOS DURANTE UM TEMPO DE ESTÁGIO. É UM DOS DESAFIOS MAIS IMPORTANTES DO VETERANO, PIONEIRO OU FUNDADOR: PENSAR ALÉM DA SUA PRÓPRIA GERAÇÃO.
Imagine um historiador erudito no futuro distante, pesquisando arquivos antigos em registros obscuros e empoeirados para descobrir pistas sobre uma vida do passado.
A sua vida. Ao dispor todas as peças do quebra-cabeça sobre a mesa – as fotografias quase desbotadas, as páginas amarrotadas de um diário, sua habilitação de motorista e informações de crédito – ele começa tirar conclusões sobre quem você era e o que fazia. Quais os fatores que esse pesquisador poderia considerar ao terminar o relatório?
Se ele for prudente, irá lembrar que você é produto do seu tempo. Todos somos. Esse é um ponto importante a ser lembrado quando consideramos a vida de qualquer pessoa. Não devemos separar a pessoa da sua época. Nosso momento na história e nossas circunstâncias, individuais, tornam-se a “bigorna” sobre a qual nosso caráter é batido e formado. Ou aceitamos o desafio de nossos tempos ou permanecemos à margem.
O grande desafio do tempo presente é entender quais são nossas responsabilidades e quais são as oportunidades. Com demasiada freqüência nós encaramos as nossas responsabilidades com uma mentalidade unidimensional, levando em conta somente uma geração. Uma de nossas responsabilidades, sobretudo no contexto dos negócios de família é a passagem do bastão da liderança. Vai chegar a hora em que o veterano terá de entregar as chaves, passar o bastão sem resistência, sabendo que terá chegado o momento de diminuir para que os outros cresçam.
Esse é o momento de transição. Não deve acontecer abruptamente, mas paulatinamente, para que ninguém saia prejudicado. As novas gerações precisam do know-how que só os veteranos têm. E estes devem ser pacientes para ensiná-los durante um tempo de estágio. É um dos desafios mais importantes do veterano, pioneiro ou fundador: pensar além da sua própria geração, trabalhando como mentor de novos líderes sem desconsiderar que cada um é fruto de seu tempo.
Certa vez alguém disse: “Corridas de revezamento são vencidas ou perdidas na hora de passar o bastão”. Eu concordo, mas me permitam fazer uma correção. Embora o ato, passagem do bastão, possa exigir apenas alguns segundos, é o coração por trás daquele simples ato que pode levar décadas para assimilar a nova situação.
É neste momento decisivo que as corridas são vencidas ou perdidas.
Uma antiga história pode nos fazer entender melhor esta necessidade de passar a chave. Um ancião estava sentado em uma catedral tocando o órgão. Era o final do dia e o Sol do entardecer que iluminava através dos vitrais dava ao ancião uma aparência sóbria e até angelical. Era um músico hábil e dono de um amplo e excelente repertório, mas neste dia especial as canções que tocava eram tristes e melancólicas. Este seria seu último dia como organista naquela catedral, seria substituído por um organista muito mais jovem e que talvez não tivesse a sua experiência. Repentinamente, o jovem entrou pela porta traseira da catedral e enquanto atravessava o longo corredor formado pelos, bem talhados, bancos de madeira escura, olhava absorto para a bela pintura no teto da catedral. O ancião observou sua entrada e cuidadosamente baixou a tampa que protegia o delicado teclado do órgão, fechou e retirou a chave. Num movimento rápido, escondeu a chave no bolso de sua calça e lentamente se dirigiu à saída.
Quando já estava à porta da catedral, percebeu que o jovem estava atrás dele, virou-se e percebeu que o inexperiente organista estava com a mão estendida e disse despretensioso e humildemente: ”por favor, a chave”. O velho organista, constrangido entregou a chave.
O jovem rapidamente dirigiu-se até o órgão, apressadamente sentou-se, colocou a chave na fechadura, girou, cuidadosamente levantou a tampa, fez uma breve pausa e começou a tocar. O ancião havia tocado com graça e habilidade, mas o jovem tocou como um verdadeiro gênio. O som da melodia encheu a catedral, a praça da catedral e toda a vizinhança. Esta foi a primeira exposição ao mundo da música de Johann Sebastian Bach. O ancião com lágrimas que corriam pelo rosto pensou: “E se eu não tivesse dado a chave?”
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SAIBA MAIS
Daniel de Carvalho Luz é professor de pós-graduação da Universidade
Metodista, diretor da DC Luz Consultoria e Coaching e autor dos livros “Insight” e “Fênix”
www.dcluz.com.br
daniel@dcluz.com.br
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