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Como profissionalizar negócio que nasceu por necessidade?

Escrito por admin -

Por Regina Ramoska

Em plena pandemia, o Brasil bateu recorde na abertura de empresas: 3,3 milhões, segundo levantamento da Serasa Experian. O número representa um crescimento de 8,7% em comparação com 2019, sendo o maior desde 2011, quando o índice começou a ser medido pela empresa. Desses 3,3 milhões, 79% (2,7 milhões) são microempreendedores individuais, o que sinaliza o empreendedorismo por necessidade, isso é, um contin-gente formado por profissionais que perderam seus empregos e abriram seus próprios negócios. O MEI representa hoje, de acordo com o Ministério da Economia, 56,7% das empresas em atividade no Brasil.

Empreendedores por oportunidade identificam nichos de merca-do e apostam suas fichas mesmo possuindo emprego ou fontes de renda. Já os que o fazem por necessidade abrem um negócio com a finalidade de gerar rendimentos para sua subsistência, diante da falta de oportunidades no mercado formal – a classificação é baseada no Relatório de Competitividade Global (Global Competitiveness Report), publicação do Fórum Econômico Mundial.

Em ambos os casos, ser um profissional de excelência não garante que o negócio próprio de-cole de imediato. De acordo com a consultora do Sebrae-SP Raissa Kill, uma diferença essencial entre trabalhar para alguém e ser o próprio patrão está na capacidade de saber correr riscos calculados. Por mais que um profissional celetista esteja sujeito a eles, possui uma série de direitos que o protegem e, por mais que se sinta “dono”, ele não é o responsável final pela empresa. Com o empreendedor ocorre exatamente o inverso, além de ele ter de tomar todas as decisões estratégicas do negócio. “Outra questão é o autogerenciamento combinado ao senso de urgência. Ao empreender, abre-se mão de ter um líder cobrando entregas, planejando o trabalho, sinalizando oportunidades. Quem deverá fazer tudo isso é o empreendedor e, se suas competências não forem bem desenvolvidas, muitas ideias podem nunca se materializar, impactando diretamente o negócio.” sem paixão, o que faz de melhor e quais seus pontos falhos. Assumir as deficiências ajuda a direcionar a busca por ajuda e capacitação. Outro ponto fundamental é analisar qual é o público a ser atendido e o que o negócio tem a oferecer.

De posse desses dados, vale fazer pequenos testes para validar os pro-dutos ou serviços e ajustar sempre que necessário. Além disso, é preciso disciplina – e muita, garante Raissa. “Essa competência é essencial e deve ser treinada diariamente. Nem sempre é fácil arranjar tempo para se planejar e desenvolver alguns hábitos e, por esse motivo, o ideal é reconhecer a realidade na qual o futuro empreendedor está inserido e começar aos poucos.”

Buscar parcerias

É comum que futuros empreendedores busquem parcerias para colocar o negócio em pé, seja pelo aporte financeiro ou pela complementação de competências, o que é questionado por Raissa. “Ter um sócio logo no começo não exclui, jamais, a necessidade de se capacitar em todas as áreas do negócio para ter segurança suficiente em todas as decisões.” Além disso, relacionamentos se desfazem, conflitos acontecem e parcerias são desfeitas. Portanto, os sócios precisam se resguardar juridicamente e acertar os pon-tos logo no começo para não haver dor de cabeça no futuro. A expectativa de ser dono do próprio negócio, com liberdade e autonomia, pode ser frustrante se não houver preparo.

Muitas vezes, economias fa-miliares de uma vida inteira são injetadas no empreendimento, mas a falta de experiência – e de capa-citação – pode pôr tudo a perder. Segundo a pesquisa Causa Mortis: o sucesso e o fracasso das empresas nos primeiros cinco anos de vida (Sebrae), ao abrir a empresa, 46% dos empreendedores não sabiam o número de clientes que teriam nem seus hábitos de consumo; 39% desconheciam qual era o capital de giro necessário para o negócio; e 38% não sabiam quantos eram os seus concorrentes. Além disso, 61%não buscaram ajuda de pessoas ou instituições para abrir o negócio, e mais da metade não elaborou um plano de negócios.

“Além do ponto final em um sonho, o despreparo pode acarre-tar rombos financeiros totalmente inesperados e difíceis de serem contornados, processos trabalhistas por desconhecimento em gestão de pessoas, prejuízos e negócios malfeitos por inexperiência em negociação”, elenca Raissa.
“Obviamente que a capacitação não garante 100% de sucesso nos ne-gócios, mas adquirir conhecimento e aplicá-lo da maneira correta é o melhor caminho para preparar o empreendedor para enfrentar as adversidades.”

SAIBA MAIS RAISSA KILL
(SEBRAE SP) 0800 5700800
www.sebraesp.com.br

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