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Sustentabilidade que cabe no bolso

Escrito por admin -

Além de ajudar o planeta, a adoção de práticas ambientais, sociais e de governança pode reduzir custos, atrair clientes e fortalecer a marca.

As mudanças climáticas e as suas consequências pareciam, até pouco tempo, conversa de cientista. Mas a sequência de eventos extremos, como a seca no Nordeste, as enchentes no Sul, os ciclones no Sudeste e o avanço do degelo na Antártida, acendeu um alerta: o planeta não está de brincadeira. Se nada for feito, os impactos ambientais tendem a se agravar. Práticas sustentáveis, antes vistas como frescuras de ecochatos, hoje, fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas. Economizar água, luz, reciclar lixo e fazer escolhas de consumo mais conscientes deixou de ser opção e virou necessidade.

No universo corporativo, a sustentabilidade não é apenas um diferencial, e sim uma estratégia de negócios que impacta diretamente a competitividade e a reputação das empresas. Ao incorporar práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), as organizações reduzem riscos, fortalecem a confiança de clientes e parceiros e se preparam para um cenário em que eficiência, transparência e responsabilidade são cada vez mais exigidas.

Uma pesquisa conduzida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que 93% dos donos de pequenos negócios consideram importantes as práticas de sustentabilidade socioambiental, como coleta seletiva, reciclagem e uso consciente de água e energia, e 83% acreditam que elas não devem se restringir a grandes empresas.

De fato, muitas ações simples e acessíveis já trazem impacto significativo, garante a analista de negócios do Sebrae-SP, Karoline Gonçalves Marques, que desenvolveu um projeto de melhoria contínua em oficinas mecânicas para mostrar que ações simples, como o obrigatório descarte correto do óleo usado ou até do pano sujo de graxa, já geram um impacto ambiental significativo.

Dentro do contexto de cada negócio, existem obrigações legais e outras iniciativas que podem ser adotadas como diferencial estratégico. No segmento de autopeças, as obrigações incluem, por exemplo, o descarte adequado de resíduos e o cumprimento das normas ambientais e de segurança. No comércio, a disposição correta das peças também faz parte de um ambiente sustentável.  “Essa medida simples, além de prevenir acidentes, é considerada uma prática sustentável, pois está alinhada ao cuidado com o bem-estar das pessoas e às diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU”, destaca Karoline, lembrando que a sustentabilidade não se limita às questões ambientais. Contempla, também, o bem-estar das pessoas, a promoção de relações justas e inclusivas e a sustentabilidade econômica, que garante que o negócio seja viável ao longo do tempo. É essa soma de ações que amplia a capacidade competitiva do negócio.

No varejo automotivo, um setor historicamente masculino, para ser socialmente inclusiva, a empresa precisa trabalhar a equidade de gênero, contratando mais mulheres, além de proporcionar um ambiente acolhedor e profissional para receber as clientes que cuidam da manutenção e reparo de seus veículos. “Ajustar processos, treinar equipes para um atendimento mais claro e criar ambientes mais organizados e inclusivos são ações simples que geram diferenciação competitiva”, ensina Karoline. Políticas claras contra assédio também são indispensáveis.

A transparência sobre preços, prazos e garantias, uma gestão financeira organizada e políticas claras de troca e atendimento são alguns exemplos de sustentabilidade financeira. “Por outro lado, há iniciativas que não são obrigatórias, mas podem gerar ganhos de marketing e até financeiros”, pontua a consultora. Exemplos incluem embalagens sustentáveis e certificações. Essas práticas funcionam como um diferencial para o negócio, agregando valor e fortalecendo a sua imagem no mercado.

Todas essas práticas ajudam a construir negócios mais responsáveis e alinhados às expectativas de consumidores e parceiros, e as ações podem ser estruturadas com base nos ODS. A recomendação, segundo a especialista, é escolher aqueles que fazem sentido estratégico para o negócio. “Existem temas mais universais, como evitar o uso excessivo de água, mas, se o consumo hídrico não for relevante para aquela operação, não faz sentido investir nessa frente.”

Para quem não sabe por onde começar, o Sebrae oferece um diagnóstico ESG on-line. Ao responder algumas perguntas, o empreendedor identifica o nível de maturidade do seu negócio e recebe uma sugestão de plano de ação inicial para avançar em sustentabilidade.

Certificações

A sustentabilidade pode e deve ser divulgada como diferencial estratégico. O Pacto Global da ONU ajuda as empresas a organizarem as suas ações e a mostrarem a sua responsabilidade socioambiental. Para se tornar signatária dos ODS, é preciso preencher um formulário, enviar uma carta de adesão e pagar uma taxa. Anualmente, a empresa precisa comprovar as suas práticas para manter o selo, ganhando acesso a programas e capacitações.

Em contrapartida, a empresa pode utilizar oficialmente o selo que reconhece o seu compromisso público com os princípios de sustentabilidade, participa de programas, trilhas e capacitações, além de receber orientações para implementar os ODS no dia a dia do negócio.

O Sebrae apresentou na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro de 2025, o selo ESG para pequenos negócios. Ao acessar a plataforma, os empresários percorrem uma jornada em que apontam as práticas já adotadas. Ao atingirem a pontuação definida pelo sistema, conquistam o selo.

O Selo Verde é concedido pelo Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN). Empresas certificadas têm benefícios como materiais de apoio, suporte para estruturar práticas sustentáveis e o direito de usar o selo em materiais de comunicação, reforçando a reputação e a confiança. Por meio do formulário no site, é possível obter mais informações e valores.

Box: Como ser mais sustentável

Economia de água

• Instalar arejadores nas torneiras.

• Consertar vazamentos.

• Usar baldes ou lavadoras de alta pressão.

• Reutilizar água de enxágue.

Economia de energia

• Substituir lâmpadas antigas    por LED.

• Aproveitar a iluminação natural.

• Desligar letreiros fora do horário de funcionamento.

• Ajustar o ar-condicionado para 23–24 °C.

Gestão de materiais

• Reduzir o uso de sacolas plásticas.

 • Reaproveitar caixas de peças.

• Separar resíduos recicláveis.

• Organizar estoque com 5S.

• Imprimir apenas o necessário.

• Implementar inventário digital com códigos de barras ou QR code.

Ações estruturadas

• Instalar sensores de presença.

• Usar equipamentos com Selo Procel A.

• Avaliar energia solar.

Logística e transporte

• Organizar pedidos para reduzir entregas.

• Centralizar rotas.

• Trabalhar com transportadoras que otimizam frotas.

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