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Reposição otimista com era pós-pandêmica

Escrito por admin -

A pandemia da Covid-19 remodelou a rotina do setor de autopeças ao exigir novas formas de contato entre fabricantes, lojistas e reparadores, garantindo o atendimento ao consumidor final. Com o avanço da vacinação, a situação tende a se normalizar, ainda que presa aos parâmetros do chamado “novo normal”, que preserva alguns cuidados, como o uso de máscaras e álcool em gel

Sem dispensar o protocolo, a reportagem da Revista Pellegrino percorreu virtualmente diversas fábricas, lojas e oficinas a fim de acompanhar de perto essa adaptação, bem como as implicações do distanciamento social na área da reposição. Entre marchas e contramarchas, empresários, executivas e executivos encaram o quadro com otimismo, projetando a abertura de oportunidades na era pós-pandêmica.

Tecnologia e planejamento

Segundo o gerente de marketing e novos produtos da Tecfil, Plínio Fazol, a principal arma da empresa na batalha para superar os obstáculos tem sido a utilização de tecnologia, somada ao planejamento estratégico. “Dessa forma, continuamos a apresentar índices de crescimento muito positivos em todas as linhas de produtos, incluindo a de motocicletas, cuja expansão de portfólio permitiu atingir mais de 85% da cobertura de frota”, afirma, ao reconhecer a expansão do delivery na quarentena. “Nesse sentido, tomamos todas as medidas necessárias para manter o mais alto nível de atendimento. Com o amplo emprego da tecnologia, conseguimos também atingir um número recorde de treinamentos, chegando a mais de 10 mil pessoas treinadas nos últimos meses.”

Fazol afirma que em todo o período a Tecfil sempre se preocupou com o bem-estar de seus funcionários, ampliando esses cuidados com a implementação de medidas de segurança da saúde. “Os colaboradores administrativos entraram em home office e, na fábrica, as operações obedecem a um sistema que assegura os cuidados necessários, como medição de temperatura diária, distribuição de máscaras, disponibilidade de álcool em gel em vários pontos da operação.” Ao avaliar o ainda tímido reencontro com a normalidade, Plínio Fazol afirma que a principal mudança de hábitos veio com a descoberta de ferramentas para facilitar a comunicação com os clientes e parceiros. “Por meio delas, foi possível expandir tanto a velocidade quanto a quantidade de contatos que realizamos.”

Capacidade de adaptação

Em outra abordagem, o diretor de Marketing da Pirelli para a América Latina, Mariano Perez, declara que a empresa soube usar a experiência acumulada para adotar as providências exigidas, mantendo firme conexão com o mercado. “Em quase 150 anos de história, já enfrentamos e superamos outras crises globais, o que explica a nossa enorme capacidade de adaptação e nos proporciona know-how suficiente para lidarmos com novas e inesperadas demandas.” De acordo com o executivo, o eventual crescimento dos pedidos de pneus para motos, em decorrência do delivery, praticamente não chegou a ser percebido. “Todos foram atendidos com a qualidade e a rapidez características de sempre, inclusive para a linha de motociclistas.”

Ainda segundo ele, a novidade foi o lançamento do Pirelli Garagem, um programa digital “que traz novas possibilidades de serviço e busca aperfeiçoar o atendimento de modo dinâmico, personalizado e seguro”. Perez afirma que o sistema possibilita a aquisição do pneu em toda a Rede Oficial, inclusive online, com agendamento remoto, sem contato físico. “É possível realizar o atendimento presencialmente, seguindo todas as normas de segurança da OMS, ou optar pelo caminhão plataforma em horário pré-agendado.”

Do ponto de vista administrativo, segundo ele, a empresa estendeu aos colaboradores novos dispositivos e uma nova base digital de comunicação para reuniões em formato remoto. “Antes mesmo de entrarmos em home office, já tínhamos iniciado um comitê de crise para discussões diárias, dedicado ao monitoramento e gestão do contexto sanitário e para acompanhar a evolução do negócio e da cadeia de valor durante todo o período”. Para o diretor, a Pirelli deu um passo a mais na estratégia digital com a estreia de um novo modelo de marketplace, que comporta todos os produtos.

Retomada

Para o engenheiro Ricardo Coimbra Sobral, sócio proprietário da oficina especializada Beto Motos, na Vila Olímpia, São Paulo (SP), a frequência cada vez maior de clientes em busca de serviço sugere uma retomada depois da maré baixa. “Felizmente, temos percebido um bom movimento este ano, o que nos deixa muito animados. Na verdade, passamos por momentos de altos e baixos na quarentena, mas temos um bom nome na praça e jamais perdemos a confiança.” Segundo Ricardo, mesmo no auge de confinamento, houve picos de demanda, que ele não atribui apenas à expansão dos serviços de entrega por motoboys. “Bom, nossa oficina trabalha com alta cilindrada, mas entendemos que as situações pontuais não estão necessariamente ligadas ao delivery.”

Olho no olho

Inserido na trilha da normalidade, o gerente comercial da Pósitron, Alexandre Jordão, afirma que sente falta do contato espontâneo, o chamado “olho no olho”, embora as reuniões virtuais sejam, segundo ele, assertivas e verdadeiras. “O encontro direto é fundamental para as vendas”, pondera, ao acrescentar que manteve o atendimento eletrônico, mas com menor tempo de conversa em comparação aos encontros presenciais. Em contexto mais amplo, Jordão afirma que houve um conjunto de alterações nos procedimentos internos e externos, envolvendo toda a cadeia de autopeças. “Muitas coisas foram alteradas, desde o local de trabalho, que passou a ser em nossa casa, até a maneira de vender e se relacionar com os parceiros comerciais. A meu ver, houve grandes rupturas, quebras de conceitos, estratégias antecipadas”, afirma. “Estamos passando por um momento histórico nunca vivido antes, mas a marca Pósitron é conhecida pela inovação em acessórios automotivos, ou seja, é uma referência.”

Alinhar ainda mais todos os esforços

Já a gerente nacional de vendas da reposição automotiva da Gates, Keli Osako, afirma que “assim como toda a indústria, a empresa teve de alinhar ainda mais todos os seus esforços para continuar crescendo”. Segundo ela, “a situação fez com que nos reinventássemos e achássemos outras formas de manter e fortalecer o relacionamento com o mercado”. Para Keli, o distanciamento social tem mostrado que a integração do meio online com o offline será mais forte e a empresa seguirá desenvolvendo diferentes canais para aprimorar a comunicação. “Quando tivermos um cenário mais seguro, retomaremos a aproximação plena com os nossos clientes, pois acreditamos que é necessário estar em campo para melhor entender as suas demandas.”

Para ela, a maior de todas as mudanças ocorridas no período foram as reuniões e treinamentos online, algo novo na empresa. “Nossas ferramentas digitais abriram novos caminhos e ampliaram as estratégias de relacionamento. Com isso, foi possível seguir colocando nossos planos em ação e manter o nível de atendimento que a Gates sempre se propôs a dar aos clientes.”

Atenção a todos os públicos da cadeia

De acordo com a gerente sênior de marketing e comunicação da ZF América do Sul, Fernanda Giacon, o foco nos clientes também tem sido prioridade na empresa. “Nós temos variados programas de relacionamento contemplando todos os públicos da cadeia, desde os mecânicos até os distribuidores, e pretendemos continuar aprimorando da forma mais criativa possível”, declara.

“O Amigo Bom de Peça, por exemplo, é o programa de treinamento e relacionamento para mecânicos com maior engajamento na América do Sul e, no período da pandemia, ganhou ainda mais aderência, com profissionais buscando especializações online. Hoje, temos mais de 105 mil certificados emitidos, mais de 20 mil mecânicos cadastrados e mais de 100 visualizações por hora no Youtube”, afirma. “Os números cresceram exponencialmente desde março de 2020, trazendo novas experiências e a certeza de que, a partir de tudo o que vivemos, a digitalização dos processos tornou-se mais forte e tende a se fortalecer com o passar do tempo.”

Segundo Fernanda, essa é uma tendência tanto nos processos de qualificação como nas vendas e nos procedimentos internos, permeada por soluções digitalizadas. “De cada uma dessas soluções extraímos coisas positivas, que vão nos ajudar muito nos próximos anos”. Para exemplificar, ela declara que o RFID (Radio Frequency Identification) no recebimento, o RPA (Robotic Process Automation) na gestão de estoque e os elevadores automáticos integrados, entre outros recursos, tornaram a logística da ZF Aftermarket um modelo de atividade impactada pela digitalização. “Atualmente, estamos ainda mais bem preparados para uma demanda aquecida e para os curtos prazos de entrega exigidos pelo universo do comércio digital em toda a cadeia.”

A gerente ressalta que o ambiente digital já fazia parte do cotidiano da ZF, ganhando agora um novo impulso. “Na pandemia, todas as reuniões presenciais passaram a ser virtuais, e o sistema de trabalho passou a ser em home office para quase a totalidade dos colaboradores, com exceção das operações, onde tivemos iniciativas rigorosas de distanciamento, higiene e segurança. Trata­se de um modelo híbrido, mas muito bem executado para que todos pudessem trabalhar em total segurança.”

Avanço no uso de ferramentas digitais

Também o gerente nacional de vendas da Eaton, Fernando Piton, realça o avanço no uso de ferramentas digitais como uma das possíveis heranças do distanciamento social. “É difícil cravar quais dos comportamentos do ‘novo normal’ vieram para ficar, contudo, provamos que trabalhar de casa significa manter altos níveis de produtividade”, afirma.

“No âmbito da comunicação, tivemos a intensa troca de mensagens de cunho profissional, tornando corriqueiro o uso de ferramentas como o WhatsApp ou canais de reuniões virtuais como o Teams, Google Meet e outros.” De acordo com Piton, as compras online, que, segundo ele, faziam parte de um universo restrito, passaram a ser um dos principais canais utilizados no Brasil. “A experiência digital vai além do universo transacional de compra e venda, pois engloba uma série de inovações em processos que otimizam recursos e contribuem na gestão das empresas.”

Na avaliação do gerente, todo os mercados sofreram um forte impacto, mas, em sua opinião, o setor de autopeças mostrou que é resiliente e receptivo a mudanças. “As transformações obviamente foram aceleradas com o advento da pandemia e colocadas como prioridade nas estratégias de todos os elos da cadeia. Nossos times trabalharam para manter, na medida do possível, aquele contato próximo com cada distribuidor e cliente da Eaton, principalmente neste ano, quando dobramos nossa equipe de campo para que todos sejam atendidos”, diz. “O ‘olho no olho’ não é a mesma coisa na tela do computador ou do celular. Mesmo assim, trouxe mais agilidade para as comunicações.” Segundo ele, a expectativa para os próximos meses é muito boa com o avanço das vacinas: “Esperamos que tenhamos em breve toda a nossa equipe disponível presencialmente no campo, colocando em prática tudo aquilo que planejamos”.

SAIBA MAIS

TECFIL

0800-8006964

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PIRELLI

0800-7287638

www.pirelli.com

BETO MOTOS

(11) 3045-8287

www.betomotos.net.br

PÓSITRON

(19) 3787-6397

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GATES

0800-2742837

www.gatesbrasil.com.br

ZF

0800-0111100

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EATON

0800 170 5555

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