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Entrevista

Dana acelara a expansão e projeta avanços

Escrito por Pellegrino -

Marcelo Rosa, head de Aftermarket na América do Sul, destaca o crescimento de dois dígitos da empresa e aborda as estratégias para os próximos anos.

Por Regina Ramoska

Revista Pellegrino: Quais são os principais desafios que o mercado de reposição de autopeças enfrenta atualmente no Brasil e demais países da América do Sul?
Marcelo Rosa: O mercado de reposição na América do Sul vive um momento de desafios e oportunidades. Um ponto que sempre destaco é a falta de mão de obra capacitada. O setor evoluiu rapidamente, com novas tecnologias nos veículos, e precisamos de profissionais preparados para acompanhar essas mudanças. Outro tema importante é o right to repair, ou direito de reparar, que garante acesso a informações técnicas e peças para reparos a oficinas e consumidores. Isso é fundamental para manter o mercado de reposição acessível e competitivo. A implantação da Inspeção Técnica Veicular (ITV) é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade, já que aumentaria a demanda por peças de reposição e serviços especializados, melhorando a segurança dos veículos em circulação.

RP: Que estratégias a Dana utiliza para se relacionar com o aftermarket?
Marcelo Rosa: Temos o Portal Universo Dana, com ferramentas para lojas de varejo e aplicadores, no qual o profissional do aftermarket encontra um ambiente de multisoluções, como o Programa InformeAção, que oferece benefícios e incentivos às vendas, e o Spicer Day, que promove ações no varejo. Temos ainda o Dana Training Academy (DTA), uma plataforma de treinamento e capacitação de profissionais de vendas e reparação sobre os nossos produtos, com cursos on-line e gratuitos. Por fim, temos o Frota Diamante Spicer, um caminhão-escola que leva treinamento prático e especializado a todo o Brasil, diretamente para oficinas, redes de distribuição e varejo. Desenvolvemos também o Danamentos, cards com foco em vendas, que trazem as características do produto para simplificar o trabalho de televendas do distribuidor, do vendedor de autopeças ou do próprio reparador aplicador.

RP: Que cenário a Dana projeta para os próximos cinco anos no que se refere à reposição?
Marcelo Rosa: Projetamos um cenário de crescimento contínuo no mercado de reposição, impulsionado por inovações tecnológicas e responsabilidade ambiental. Em 2021, apresentamos um plano para quadruplicarmos de tamanho em cinco anos na região da América do Sul, que seguimos em marcha, obtendo crescimentos acima de dois dígitos ano após ano. Estamos neste momento reescrevendo o plano 2025–2029, que prevê novos investimentos na região para chegarmos a 2029 seis vezes maior do que éramos em 2020.

RP: Como a Dana avalia o impacto da digitalização e do comércio eletrônico no mercado de reposição?
Marcelo Rosa: A digitalização trouxe um impacto muito positivo. Marketplaces especializados, por exemplo, são ótimos para conectar fabricantes, distribuidores e oficinas, mas é importante escolher os canais corretos, que respeitem a seriedade do mercado. A digitalização também facilita o acesso às informações e agiliza processos, permitindo que oficinas resolvam problemas com rapidez. Na Dana, estamos atentos a essas mudanças e aproveitamos essa transformação para fortalecer a nossa relação com o mercado e oferecer soluções ainda melhores. Por exemplo, a Dana integrou sua base de dados com plataformas de marketplaces, como o Mercado Livre, facilitando ainda mais a compra e venda de peças on-line.

RP: Que inovações recentes a Dana trouxe para esse mercado?
Marcelo Rosa: Trouxemos produtos inovadores como Reinzosil e Reiznoplast, selantes de excelente resistência, projetados para suportar agentes agressivos como combustíveis, óleos, graxas, água e luz solar. São indicados para motores a diesel, gasolina e álcool. E, claro, estamos preparando um grande pacote de lançamento de novos produtos a ser anunciado na Automec.

RP: De que forma a Dana trata a questão da sustentabilidade?
Marcelo Rosa: Sustentabilidade é um pilar fundamental para a Dana desde a sua fundação. Desenvolvemos soluções que atendem às normas internacionais e trabalhamos para oferecer tecnologias que contribuam para a mobilidade de baixo carbono. Com biocombustíveis ou eletrificação, o nosso foco é oferecer as melhores soluções para cada região.

RP: Quais são os critérios utilizados pela Dana para garantir a qualidade das peças de reposição?
Marcelo Rosa: Dispomos de laboratórios e centros técnicos em diversas regiões do mundo, como Estados Unidos, Europa, Índia, China, Brasil e Argentina. Por sermos fornecedores de produtos para o equipamento original, as nossas peças passam por rigorosos testes de qualidade e seguem padrões internacionais de certificação. Além disso, contamos com processos de inovação que garantem que os nossos produtos atendam às exigências do mercado de reposição e das montadoras.

RP: Como a Dana está integrando canais digitais para melhorar a experiência do cliente no setor de aftermarket?
Marcelo Rosa: Estamos investindo em ferramentas digitais, como os nossos catálogos on-line. Por meio de uma base de dados unificada, a Dana oferece acesso aos catálogos de suas marcas na América do Sul – Spicer, Albarus, Thompson e Transejes – por meio de múltiplas plataformas, graças à parceria com duas empresas renomadas em soluções digitais – a Fraga/Intelliauto e a Ideia 2001. Os usuários podem fazer consultas tanto por celular, quanto por tablet ou computador, tornando o processo de busca por peças mais ágil e eficiente. É possível pesquisar por montadora/veículo, código da peça Dana, código original ou códigos de referência. A consulta por placa do veículo também está disponível, integrando informações diretamente dos Detrans brasileiros. Além disso, garantimos suporte técnico eficiente para os nossos clientes pelo 0800.

RP: Quais estratégias a Dana adota para proteger os consumidores da compra de produtos falsificados?
Marcelo Rosa: Trabalhamos com sistemas de rastreamento e autenticação de produtos, além de campanhas educativas para conscientizar sobre os riscos de peças falsificadas. Além disso, dispomos de um departamento global antifalsificação por meio do qual acompanhamos detalhadamente todos os casos de adulteração de nossos produtos e atuamos com rigor e rapidez contra falsificadores. Também temos parcerias com entidades do setor para combater essa prática.

RP: De que maneira a inteligência de mercado e a tecnologia podem ser utilizadas para garantir o crescimento das empresas em um cenário de mobilidade cada vez mais complexo e competitivo?
Marcelo Rosa: A inteligência de mercado é fundamental para entender as demandas e antecipar mudanças. Com a tecnologia, conseguimos atender ao mercado com mais eficiência. Ferramentas como inteligência artificial ajudam a otimizar estoques e prever demandas, enquanto plataformas digitais facilitam o acesso às peças certas. O uso de conectividade e sensores permite uma manutenção preditiva que beneficia tanto o cliente quanto as oficinas. Tudo isso contribui para as empresas crescerem em um mercado cada vez mais dinâmico.

RP: Como a Dana está se preparando para apoiar a transição para a mobilidade de baixo carbono no Brasil?
Marcelo Rosa: A Dana apoia a transição para uma mobilidade mais sustentável e, como uma empresa agnóstica em relação às tecnologias de propulsão, fornecemos as soluções mais adequadas para cada região e suas especificidades de mercado, seja no uso de biocombustíveis, seja na eletrificação de veículos ou em outras formas de descarbonização. Esse posicionamento nos permite atender de forma personalizada às demandas dos clientes, garantindo que as tecnologias implementadas estejam alinhadas às necessidades locais e contribuam para um futuro de baixo carbono.

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