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Logística afinada, cliente fidelizado

Escrito por Pellegrino -

Planejamento, controle de estoque e parcerias certas tornam a entrega um diferencial competitivo – sem precisar de alta tecnologia

Por Rosiane Moro

Engana-se quem pensa que, para ter uma logística de entrega eficiente, as lojas de autopeças precisam investir em robôs ultramodernos ou tecnologias de outro planeta. O verdadeiro segredo está em algo bem mais acessível: planejamento, organização, controle de estoque alinhado com a demanda, parcerias confiáveis com transportadoras e, acima de tudo, uma boa comunicação entre os setores da empresa. Com esses elementos em sintonia, é possível garantir que a peça certa chegue ao destino no tempo certo — sem mistério, sem drama e, principalmente, sem prejuízos.

O cuidado com a logística se torna ainda mais estratégico diante do avanço acelerado do comércio eletrônico. Para acompanhar essa tendência de mercado e atender ao novo comportamento do consumidor, cada vez mais lojistas têm investido em canais de venda on-line. E os números comprovam que esse é um caminho sem volta: só em 2024, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 204,3 bilhões, um crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior. Foram 414,9 milhões de pedidos, com um ticket médio de R$ 492,40. Já o número de compradores on-line chegou à impressionante marca de 91,3 milhões. Para 2025, a expectativa é ainda mais otimista: a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) projeta um faturamento superior a R$ 234 bilhões, representando um crescimento de 15%.

Com o aumento das vendas on-line, a cadeia logística das empresas passa a ser diretamente impactada. A demanda por entregas rápidas e eficientes se intensifica, transformando a logística de um setor operacional em um diferencial competitivo. Investir em processos bem-estruturados – do controle de estoque até a entrega final – torna-se essencial para atender às novas expectativas dos consumidores e manter a fidelidade dos clientes.

Vale lembrar que essa estratégia não começa quando o pedido entra no sistema da loja, mas sim lá atrás, na escolha criteriosa dos fornecedores, na padronização dos processos internos e no uso inteligente do espaço físico. Um estoque bem gerenciado evita desperdícios, retrabalho e acelera o atendimento. Saber o que se tem, onde está e em qual quantidade já é meio caminho andado para reduzir gargalos. E não é necessário um centro logístico futurista: ferramentas simples, como planilhas atualizadas ou sistemas básicos de gestão (os famosos ERPs), ajudam a manter tudo sob controle, mesmo em empresas de pequeno porte.

Para Joelma Vieira, head de Produto da Senior Sistemas, os desafios enfrentados pelas lojas de autopeças estão ligados, principalmente, à grande diversidade de peças e acessórios disponíveis em estoque. “Muitas vezes a quantidade de SKUs [unidade de manutenção de estoque] é enorme, com variações de modelo, aplicação e especificações. Isso exige um controle mais apurado, tanto na separação dos pedidos quanto na previsão de demanda, para evitar falhas que possam comprometer a entrega”, explica.

Outro ponto de atenção é o prazo de entrega cada vez mais apertado. Com o avanço do e-commerce, não é raro que o lojista precise oferecer entregas no mesmo dia (as chamadas same day delivery), o que demanda processos extremamente bem alinhados, do recebimento do pedido à chegada ao consumidor. “Esses prazos curtos impactam diretamente em custos logísticos, nas margens de lucro e na acuracidade do estoque. Por isso, cada etapa deve funcionar como um relógio”, ressalta Joelma.

Nesse cenário, a definição de rotas e prazos de entrega precisa ser realista. Parcerias com transportadoras que conheçam bem a região de atuação da loja fazem toda a diferença – e é fundamental ter planos alternativos para lidar com imprevistos. Outro aspecto que não pode ser ignorado é a comunicação clara com o cliente: manter o comprador informado sobre o status do pedido transmite profissionalismo.

Mas nenhum sistema, por mais tecnológico que seja, funciona sem gente. Uma equipe bem treinada, que compreenda a importância da logística para o sucesso da loja, é um dos maiores ativos do negócio. Funcionários atentos e comprometidos conseguem identificar falhas antes que virem problemas e propor melhorias que nem sempre a tecnologia detecta.

Gestão de estoque
Para a especialista, ter uma operação logística bem ajustada evita prejuízos e ainda contribui significativamente para a fidelização do cliente. “Quando o consumidor recebe a sua encomenda com rapidez e sem erros, cria-se uma relação de confiança. Um estoque confiável e uma entrega pontual aumentam a credibilidade da loja e favorecem a recompra.”

Em um mercado tão competitivo quanto o de autopeças, conquistar a preferência do cliente vai muito além de oferecer o menor preço. Principalmente quando ele procura itens específicos: se encontra o que precisa, é bem atendido e recebe no prazo, tem grandes chances de voltar, impactando diretamente no crescimento das vendas.

Embora muita gente acredite que sistemas de gestão logística são privilégios apenas das grandes indústrias, soluções como o Warehouse Management System (WMS) já estão acessíveis também para os pequenos negócios. “Mesmo lojas com um pequeno centro de distribuição conseguem colher bons frutos com a adoção desse tipo de ferramenta. Com ela, o lojista pode otimizar sua operação, aumentar a produtividade, evitar rupturas de estoque e reduzir perdas”, explica Joelma.

Falta de produto no estoque significa perda de venda. Por isso, o uso de um WMS permite prever demanda, organizar inventários e eliminar retrabalho – tudo isso se traduz em redução de custos operacionais.

Segurança
Outro ponto crucial na operação logística, especialmente em tempos de e-commerce em alta, é a segurança, o que inclui tanto o investimento em seguros quanto o cuidado com as plataformas de pagamento. “Você nunca está com controle de 100% das variáveis externas que impactam o negócio. Por isso, se houver oportunidade de investir em seguro, faça”, recomenda Joelma. Ela lembra que o setor lida com peças de alto valor agregado e que qualquer perda representa um prejuízo significativo.

Além disso, é fundamental utilizar plataformas de pagamento seguras, com validação de dados, para evitar fraudes, que, segundo ela, são mais comuns do que se imagina. “Muitas vezes, o consumidor acredita que finalizou a compra, mas ocorre alguma intercorrência no meio do caminho, e a loja sequer recebe o pedido. Segurança deve estar presente em toda a cadeia”, completa.

Muito além dos atrasos
Para alcançar eficiência nas entregas, não basta apenas monitorar atrasos. É necessário acompanhar indicadores estratégicos ligados à gestão de estoque, como a curva de movimentação de peças, o planejamento de reposição e a integração com o plano de vendas. Uma curva de estoques bem ajustada e um bom entendimento dos prazos de movimentação dos itens permitem uma reposição mais assertiva. Os softwares de gestão de armazenagem já oferecem bons recursos para apoiar esse controle.

Na hora de estruturar as entregas, muitos lojistas se perguntam se vale mais a pena montar uma operação própria ou apostar na terceirização. Nesse ponto, a escolha por parcerias com plataformas especializadas costuma se mostrar mais vantajosa – tanto do ponto de vista financeiro quanto operacional. Criar uma estrutura interna envolve, além do investimento em ferramentas, custos com contratação e treinamento de equipe, atualização constante dos sistemas e acompanhamento de questões legais, fatores que tornam a operação própria mais complexa e onerosa.

Além disso, Joelma reforça que o foco do varejista deve continuar sendo vender peças, e não desenvolver tecnologia. “É melhor deixar essa parte com quem entende disso. Hoje temos soluções em nuvem, com investimento acessível e retorno rápido”, conclui.

Tendências
A inovação já é uma realidade no varejo de autopeças, com a inteligência artificial (IA) transformando a forma como as lojas operam. Em vez de dedicar horas à análise de relatórios, a IA é capaz de gerar diagnósticos e previsões em poucos minutos. Entre as aplicações mais relevantes estão a otimização de rotas de entrega, a previsão de demanda, o agrupamento inteligente de peças no estoque e a sugestão de vendas cruzadas com base no histórico de compras. “Hoje, quando um cliente compra um limpador de para-brisa, o sistema já sugere outras peças associadas. A IA ajuda até a organizar o estoque, facilitando o acesso a itens que costumam sair juntos”, exemplifica Joelma Vieira.

Box
Dicas práticas para uma logística afinada

  1. Organize o estoque por categorias e códigos: agrupar peças por tipo, aplicação ou marca e adotar códigos padronizados facilita a localização e evita erros no envio.
  2. Use sistemas de gestão, mesmo que simples: planilhas bem-estruturadas ou ERPs básicos ajudam a acompanhar entradas e saídas de produtos, evitando rupturas ou excesso de estoque.
  3. Crie um fluxo de pedidos eficiente: estabeleça uma rotina clara desde o recebimento do pedido até a expedição.
  4. Tenha transportadoras de confiança (e alternativas): contar com parceiros logísticos que conheçam bem a região de atuação é essencial – e ter um plano B evita surpresas em caso de imprevistos.
  5. Informe o cliente sobre cada etapa: enviar mensagens automáticas sobre o status do pedido (nota fiscal emitida, separado, em rota, entregue) aumenta a transparência e a satisfação do consumidor.
  6. Capacite a sua equipe constantemente: treinamentos curtos e frequentes sobre organização, atendimento e operação logística mantêm o time alinhado e ágil.
  7. Frete justo: estabeleça uma política de frete que seja atrativa para o cliente e não cause prejuízo para a empresa.

Texto destaque
“Um estoque confiável e uma entrega pontual aumentam a credibilidade da loja e favorecem a recompra”
Joelma Vieira

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