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Entrevista

AUTOMEC 2025

Escrito por Pellegrino -

Por Regina Ramoska

Com cerca de 1.500 marcas expositoras, mais de 90 mil visitantes esperados e uma projeção de R$ 20 bilhões em negócios, a Automec, realizada de 22 a 26 de abril, reafirma sua posição como a principal feira do aftermarket automotivo da América Latina. O gerente do evento, Eduardo Marchetti, analisa as principais ações do encontro, que conecta tendências, oportunidades e grandes players do setor.

Revista Pellegrino: Quais as novidades da edição de 2025?
Eduardo Marchetti: Estamos no São Paulo Expo, o maior local de eventos da América Latina. Apesar de sua grandiosidade, ele se tornou pequeno para nós, pois já o lotamos em 2023 a ponto de não haver mais espaço disponível. Como solução, adicionamos mais 1.500 m² de área vendável dentro do pavilhão. Essa é uma das primeiras novidades. Expandimos a área internacional, adicionando 750 m², e construímos uma tenda conectada ao pavilhão, com ar-condicionado e acabamento de alta qualidade. Essa expansão reflete o aumento significativo de interesse internacional devido às oportunidades que o Brasil oferece.

RP: Quais são as expectativas em relação à participação internacional na Automec 2025 e como isso impacta o mercado local?
Eduardo Marchetti: O evento conta com a presença de participantes de toda a Ásia, além de empresas de Luxemburgo, Holanda, Alemanha e Estados Unidos em grande número. Países que têm marcado presença e crescido a cada ano, como Turquia, Argentina, China, Coreia e Índia, também estão representados. A Turquia, excluindo a China, é o maior país participante. Nesta edição, temos ainda a presença inédita da Polônia, com nove expositores. É um avanço significativo, especialmente ao considerar que o país europeu enfrenta altos impostos para trazer produtos ao Brasil.

RP: Como a Automec contribui para a formação e o desenvolvimento do setor de reposição automotiva?
Eduardo Marchetti: A Automec tem três pilares, definidos após conversa com o público, tanto com os visitantes quanto com os expositores: informação, formação e experiência. Temos uma arena de conteúdo em que os maiores influenciadores e autoridades do setor oferecem palestras, ensinamentos e informações aos visitantes. Nos últimos anos, houve uma grande evolução na eletrificação dos veículos, e isso precisa ser amplamente discutido. As garantias dos veículos eletrificados estão começando a expirar, e, em breve, os mecânicos de confiança começarão a receber carros elétricos para consertar. No entanto, esses veículos não podem ser reparados da mesma forma que os convencionais; é necessário aprender novas técnicas. Um dos destaques são as medidas de segurança rigorosas, pois os carros elétricos operam com quase 1.000 volts nas peças. Portanto, os mecânicos precisam de formação e certificação para deseletrificar os veículos, tornando o processo muito mais complexo.

Estamos trazendo todas essas informações, além de conteúdos sobre aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG), melhores práticas de administração de oficinas e as últimas novidades que impactarão o setor nos próximos dois anos. Também abordaremos os assistentes de direção, como o ACC, que freia e acelera automaticamente. Esses sistemas, antes exclusivos de carros caros, estão cada vez mais presentes em veículos de entrada e precisam de manutenção.

RP: Como funciona a Universidade Automec?
Eduardo Marchetti: A Universidade Automec é a grande novidade da edição de 2025, focada na formação. A ideia surgiu com a parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). O SENAI é responsável por todas as novidades e tecnologias de conserto, enquanto o IQA define regras e leis do setor automotivo. Juntos, eles oferecem uma certificação, iniciativa que demonstra o compromisso das empresas com o segmento, proporcionando treinamento e garantindo o futuro do setor. A Universidade Automec, com apoio de patrocinadores, incentiva novas gerações a se interessarem pela mecânica moderna e sofisticada.

RP: O que a feira oferece na área de entretenimento?
Eduardo Marchetti: O terceiro pilar da Automec é a experiência. Nós, brasileiros, temos um perfil diferente quando visitamos feiras pelo mundo. Na Europa e nos Estados Unidos, o foco é estritamente nos negócios, o que é ótimo. No entanto, o brasileiro gosta de aproveitar o momento, curtir o ambiente e compartilhar as suas experiências. Ele pode estar lá para fechar um negócio de até R$ 1 milhão, mas quer estar feliz, se divertir e ver algo memorável. Para atender a essa demanda, temos a equipe do Ultimate Drift, assim como na última edição. O drift é o evento mais chamativo, com barulho de motores, pneus cantando e muita adrenalina, mas também serve para demonstrar a resistência das peças automotivas.

Uma grande empresa uma vez questionou a sustentabilidade do evento, mas é importante lembrar que, antes de ser organizador de eventos, trabalhei 23 anos na indústria automobilística. Testamos peças em condições extremas para garantir a sua durabilidade.

RP: Muito se fala na eletrificação da frota, mas os carros a combustão ainda dominam as ruas. A Automec reflete essa realidade?
Eduardo Marchetti: Há cerca de cinco anos, muita gente achou que o segmento de autopeças ia acabar com a chegada dos carros elétricos, que têm um terço das peças de carro à combustão. No entanto, essa previsão não se concretizou, o Brasil ainda não tem estrutura para o carregamento eficiente desses veículos. Então, pelo menos em médio prazo, vamos conviver com a hibridização. Empresas que antes focavam exclusivamente itens para carros a combustão começaram a adaptar os seus produtos para atender também aos veículos elétricos, promovendo uma evolução orgânica e integrada do mercado automotivo. Na Automec, os eletrificados se misturam aos carros à combustão, com exceção de uma ou outra empresa que traz algo muito específico, como, por exemplo, carregadores de carros elétricos.

RP: Já é possível antecipar algo sobre a Automec 2027?
Eduardo Marchetti: O evento Automec tem algumas evoluções necessárias que precisam acontecer. O tamanho é uma delas, e a experiência é outra. Com apenas dois anos até o próximo evento, ainda não conseguimos definir exatamente quais atividades serão realizadas. Precisamos de um pouco mais de tempo para entender como todos reagirão em 2025 e segmentar as áreas para ver quais são as mais relevantes. Uma coisa é certa: a Automec 2027 continuará sendo incrível! Além dos negócios milionários, será o maior encontro do segmento, sem dúvida. Vamos garantir que seja muito útil, rica em oportunidades e experiências, promovendo a evolução do setor de maneira significativa.

Texto destaque:
A Universidade Automec, com apoio de patrocinadores, incentiva novas gerações a se interessarem pela mecânica moderna e sofisticada.

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