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Entrevista

UNIÃO DE ESFORÇOS

Escrito por admin -

Entrevista

Gustavo Orrú, diretor-geral de Aftermarket da Eaton, acredita que o crescimento do setor de autopeças, em 2025, se dará por meio do fortalecimento das parcerias e oportunidades de nichos específico.

Por Regina Ramoska

Revista Pellegrino – Como o aftermarket se consolidou como um pilar estratégico no crescimento global da Eaton?

Gustavo Orrú – Por ser um mercado de crescimento ao longo dos anos e com muita importância no setor automotivo, passou a ter cada vez mais relevância dentro da Eaton. Ao unir esse cenário com a expertise, experiência, tecnologia e equipes capacitadas e qualificadas para boas entregas, o aftermarket se transformou num pilar importante de negócios na companhia, com perspectiva de seguir ganhando relevância e conquistando novos negócios ao expandir o seu portfólio, tornando-o cada vez mais robusto e completo.

RP – Quais são as perspectivas da Eaton para a reposição em 2025?

Gustavo Orrú – A perspectiva é positiva. Sabemos que os desafios existem e são grandes, mas, ao observar o andamento nos primeiros meses do ano, acreditamos que o setor deve seguir em crescimento. É importante deixar claro que é um crescimento modesto perto de toda a potencialidade que temos, mas as condições econômicas não estão favorecendo. Boa parte do crescimento está baseada no fortalecimento das parcerias e oportunidades de nichos específicos.

RP – Como a Eaton comunica o seu valor agregado ao consumidor final e à rede de parceiros?

Gustavo Orrú – A Eaton entende que o preço é um fator importante de compra entre muitos outros. O fato de ser uma empresa global com grande expertise e que entrega produtos e soluções de qualidade e com garantia já nos coloca em uma posição diferenciada no mercado. Para sermos efetivos em comunicar nossos diferenciais e valor agregado, a parceria com a cadeia e em especial com o distribuidor é fundamental, pois dessa forma conseguimos ter uma troca de conhecimento e entender as dores e os desafios deles para sermos cada vez mais assertivos nas entregas.

RP – Como a Eaton tem enfrentado a crescente concorrência de players asiáticos na reposição?

Gustavo Orrú – Seguimos trabalhando com equipes altamente qualificadas, com produtos de qualidade e busca por competitividade, aliando tecnologia e inovação e, muito importante, em parceria com a cadeia para entender e se antecipar aos desafios, oferecendo as melhores soluções. Além disso, temos uma base industrial e engenharia local para desenvolver e produzir produtos para as condições de rodagem brasileira, e isso garante o atendimento real das necessidades dos clientes brasileiros e da América do Sul, tanto em performance quanto em qualidade.

RP– O que é a Jornada Eaton?

Gustavo Orrú – É uma iniciativa estratégica de aftermarket que reforça o conhecimento de profissionais do setor sobre os produtos e soluções da empresa, como valores de cada produto, diferenciais técnicos, dicas de montagem, informações, treinamentos e capacitações aprofundadas conduzidas por promotores técnicos e vendedores da Eaton. O programa também inclui campanhas de incentivo e lançamentos para os distribuidores participantes. Os treinamentos são divididos por áreas – carros de passageiros e veículos comerciais (caminhões e ônibus) e tratores – e são realizados em diversos módulos, de acordo com a categoria dos produtos, em linha com a necessidade identificada, sendo possível a customização das capacitações em busca do resultado mais efetivo no ponto de venda.

RP – O programa tem sido efetivo?

Gustavo Orrú – A mensuração dos resultados é outro diferencial da Jornada Eaton. São feitas avaliações antes, durante e após os treinamentos para analisar a efetividade do programa, e algumas edições indicaram um índice de satisfação superior a 95% e um aumento acima de 15% na média por dia de vendas, o que demonstra o impacto positivo do programa nos negócios dos profissionais que passam pelos treinamentos.

RP – Qual é a importância da linha de produtos remanufaturados para a Eaton?

Gustavo Orrú – É fundamental, e a sua importância tem crescido ano após ano, pois, além de ser um trabalho com impacto ambiental, afeta diretamente os negócios dos nossos clientes, com redução de custo e do tempo de manutenção. Como exemplo, temos o ECOBox®. Ao receberem o produto usado e sem condições de reutilização imediata, as oficinas e clientes enviam para a Eaton, que desmonta, analisa e inspeciona as peças, que são classificadas de acordo com o seu estado de conservação. Aquelas que têm condição de qualidade preservada e dentro dos padrões estabelecidos são reutilizadas, já as que estão com mais desgaste ou condenadas são substituídas. Após a montagem do produto remanufaturado, ele passa pelos mesmos testes dos produtos novos para garantir a sua qualidade e voltar ao mercado.

RP – Os números do projeto são positivos?

Gustavo Orrú – Ao analisar o ciclo de vida das transmissões, o estudo da ECOBox® mostrou bons resultados na pegada ambiental. A produção de transmissões remanufaturadas reduziu de 26% a 44% a emissão de gases de efeito estufa adicionados aos produtos. De acordo com o estudo, quando comparado a um novo, o produto remanufaturado apresenta uma pegada de carbono 30% menor, equivalente a uma redução de 150 toneladas de dióxido de carbono de 2019 a 2024, impactando diretamente a mitigação do aquecimento global. Além disso, houve reúso de 131 toneladas de material metálico, incluindo aço, ferro fundido e alumínio, reduzindo a necessidade de extração de matéria-prima.

RP – O mercado tem aceitado bem os produtos remanufaturados?

Gustavo Orrú – Sim, afinal, aliamos qualidade, garantia e custo cerca de 30% menor quando comparado ao produto novo. Como referência, nos últimos cinco anos, as vendas de transmissão remanufaturada cresceram em média 45% ao ano. Além das transmissões, temos as embreagens remanufaturadas.

RP – Em sua opinião, quais são as principais tendências na reposição e como a Eaton está se preparando para aproveitá-las?

Gustavo Orrú – Entendemos que a tecnologia embarcada e a inovação estarão cada vez mais presentes para conseguir um maior desempenho e menor custo total. A manutenção preditiva é um exemplo, já que a tecnologia embarcada nos produtos permite que o serviço seja realizado no momento adequado e com menor tempo de veículo parado, além de soluções para garantir uma melhor dirigibilidade e redução de custo da operação da frota. Com certeza temos uma tendência de inovação tecnológica e digitalização muito forte na reposição, mas a manutenção do relacionamento com nossos parceiros e clientes é uma estratégia duradoura e de longo prazo.

RP – A Eaton tem investido em pesquisa e desenvolvimento no segmento de reposição. Poderia citar exemplos de inovações recentes ou futuras?

Gustavo Orrú – Quando falamos de produtos, a expansão de portfólio tem sido um investimento constante na Eaton. Como lançamentos recentes, temos as embreagens para aplicações específicas para a exportação para a América do Sul e componentes para o conjunto de embreagens, além das peças mecânicas e expansão na linha de válvulas para motores. Um lançamento ainda por vir é o iQ-Cruise, uma solução de controle de cruzeiro adaptativo (cruise control – piloto automático), preditivo e conectado, impulsionado por inteligência artificial, que promete economizar de 5% a 15% em combustível para frotas de caminhões, reduzindo também as emissões de CO2. Essa tecnologia se diferencia por utilizar dados de mapas de alta definição em combinação com informações de tráfego e clima para otimizar a velocidade e a dirigibilidade. É voltada para frotas de caminhões médios e pesados, com foco em eficiência de combustível e sustentabilidade.

Frase destaque:
“Comparada a um produto novo, a peça remanufaturada representa uma pegada de carbono 30% menor, equivalente a uma redução de 150 toneladas de dióxido de carbono (CO2)”

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