Fale conosco pelo WhatsApp

Mercado

Peça rara

Escrito por Pellegrino -

Como manter no estoque itens difíceis de encontrar e transformá-los em boas vendas.

Por Rosiane Moro

Ter aquela peça que ninguém possui pode ser o trunfo que faltava para fechar uma venda, fidelizar o cliente e se tornar referência no nicho do mercado automotivo. Isso mesmo! Desde que esteja em bom estado, aquele item parado na prateleira há anos pode ser a solução perfeita para manter um carro mais antigo rodando e, por isso mesmo, se torna um ativo valioso para a manutenção.

E, se olharmos um pouco além, esse universo se expande ainda mais. O mercado de veículos clássicos com placa preta, que segue critérios rigorosos de originalidade, é exigente e altamente especializado. Nessa categoria, cada parafuso conta. Ter a peça exata, do modelo e ano corretos, pode não só garantir a venda como também atrair um público apaixonado, disposto a investir alto para manter a autenticidade de seus veículos. Para quem souber garimpar e organizar o estoque, esse nicho representa uma verdadeira mina de oportunidades.

Para começar, é fundamental analisar o mercado de automóveis e entender quais veículos atualmente possuem aquela pegada vintage. “Carros lançados no início da década de 90 são fortes candidatos à placa preta. Nesse segmento, entram os carros

populares que tiveram um grande volume de vendas, então não é difícil ter peças desses modelos em estoque”, explica Francisco Emídio Marques, consultor de negócios do Sebrae SP. Entre os modelos destacados estão o Corsa, o Gol bolinha e o Uno Mille. Há ainda os veículos que se enquadram no sonho de consumo dos jovens da época, como Kadett GSI, Corsa Piquet, Escort XR3 e Gol GTI. Também não podemos deixar de fora os clássicos de todos os tempos, como o Maverick, o Opala e o Ômega.

Saindo um pouco do âmbito dos clássicos, o consultor aconselha procurar os veículos que estão com valor aquecido no momento. “Os preços da Ranger e da S10, por exemplo, estão começando a explodir no mercado, e a manutenção com peças originais aumenta ainda mais o valor desses modelos.”

O passo seguinte é olhar com atenção para o estoque e identificar quais peças podem atender a esse nicho específico. Uma vez mapeados, é hora de dar aquela garimpada na internet para ver como andam os preços desses itens e dedicar um bom tempo e energia na divulgação. O ambiente virtual pode ser um grande aliado para a sua visibilidade. Postagens estratégicas nas redes sociais, atualizações no site e o contato direto via WhatsApp com clientes de veículos antigos são ações que trazem bons resultados. Além disso, vale investir no relacionamento com mecânicos especializados nesse tipo de manutenção. Um bom atendimento, aliado à confiança, pode transformar esses profissionais em grandes divulgadores da sua loja, e o famoso boca a boca continua sendo uma poderosa ferramenta de marketing.

Não tem preço

O valor de uma peça rara pode surpreender até os lojistas mais experientes. Dependendo da exclusividade e do estado de conservação, itens que estavam esquecidos no estoque conseguem atingir preços bastante expressivos, muitas vezes superiores aos praticados por peças de linha atual. “Para colecionadores e proprietários de veículos antigos, manter a originalidade do carro não tem preço. Uma lanterna de época, um emblema original ou até mesmo um simples botão de painel pode ser negociado por valores significativos, especialmente se a peça estiver fora de linha há anos. Se estiver em uma embalagem original e em bom estado, melhor ainda”, observa Marques.

O consultor reforça que, apesar dos altos preços, trabalhar apenas com itens exclusivos pode ser arriscado. “Para não comprometer o capital de giro, o ideal é ter cerca de 80% do estoque com peças de grande circulação, mais especificamente entre 45 e 60 dias, e 20% de peças exclusivas, com giro menor, mas com alto valor agregado.” Para alcançar alto preço no mercado, a originalidade é um requisito fundamental, especialmente para os clientes em busca da cobiçada placa preta, concedida apenas a carros com elevado grau de conservação e fidelidade às especificações de fábrica.

Nesse contexto, peças falsificadas, adaptadas ou de procedência duvidosa não apenas inviabilizam a conquista do certificado como também colocam em risco a reputação da loja. “Nessa categoria, a originalidade é certificada, auditada e verificada. Colecionadores e restauradores são criteriosos e, diante de qualquer suspeita, não hesitam em relatar irregularidades aos órgãos competentes ou a outros compradores”, alerta Marques.

Como divulgar

Não adianta nada ter um bom estoque de peças raras se ninguém sabe disso. Por isso, a comunicação com esse público precisa ser tão precisa quanto as peças que ele procura. Nas redes sociais, vale criar postagens que mostrem a história por trás das peças, por exemplo, quando eram usadas, em que modelos, qual a importância para a manutenção do carro. Fotos bem-feitas, com boa iluminação e legendas informativas, fazem a diferença. Conteúdos que misturam curiosidade e utilidade costumam gerar um bom engajamento.

No WhatsApp, a abordagem precisa ser mais personalizada. Manter uma lista segmentada com os contatos de mecânicos e clientes colecionadores permite enviar fotos e informações de peças específicas, com foco no interesse de cada um. Aqui, a agilidade no retorno e a clareza nas informações são fundamentais.

Já no site, o ideal é criar uma seção dedicada a peças raras ou para veículos antigos, com descrição detalhada, ficha técnica, ano/ modelo de aplicação e, sempre que possível, um histórico do item. Isso ajuda a posicionar a loja como autoridade no segmento e a facilitar buscas no Google por quem procura justamente esse tipo de produto.

O raro de amanhã

Mais do que atender a uma demanda do mercado atual, o lojista precisa também olhar para o futuro. Observar tendências de descontinuação de modelos, acompanhar lançamentos que não têm grande volume de vendas e identificar peças com potencial de escassez são atitudes que ajudam a antecipar movimentos do mercado. Ao reservar espaço no estoque para itens que podem se tornar raros nos próximos anos, a loja se posiciona de forma estratégica e se antecipa à concorrência. Esse olhar de longo prazo permite transformar o que hoje parece comum em uma oportunidade de negócio e com bom potencial de lucro.

CHECKLIST DAS PEÇAS DE BAIXA CIRCULAÇÃO

• Analise o histórico de vendas: verifique quais peças antigas ainda têm saída frequente ou sazonal.

• Fale com os mecânicos: mantenha contato com oficinas e profissionais especializados para entender quais itens eles mais procuram.

• Divulgue os diferenciais do seu estoque: use redes sociais, WhatsApp e parcerias com oficinas para divulgar as peças exclusivas que você tem.

• Revise os preços: avalie se o preço está competitivo, considerando a escassez ou a dificuldade de encontrar o item no mercado.

• Monitore o estoque de perto: use sistemas de gestão para controlar o giro e evitar excesso de capital parado.

• Invista em relacionamento: torne-se referência na sua região como a loja que resolve o problema quando ninguém mais tem a peça.

Copyright © 2021 • Pellegrino - Todos os direitos reservados.