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Entrevista

Ampri: direção firme rumo ao crescimento

Escrito por Pellegrino -

O CEO Anderson Trofino destaca a trajetória de 30 anos da empresa, o avanço médio de 35% ao ano após a pandemia e os planos de expansão, incluindo a abertura de um centro de distribuição nos Estados Unidos

por Regina Ramoska

Revista Pellegrino: Como foi o processo de transformação da Ampri, de empresa familiar para o modelo atual?

Anderson Trofino: A Ampri tem 30 anos e sempre cresceu de forma orgânica. Começamos pequenos, apenas um funcionário e eu. O meu pai, que trabalhava na indústria de autopeças, abriu a empresa para mim, e alguns anos depois veio trabalhar comigo, permanecendo na sociedade até se aposentar. No início, a gente comprava as peças, embalava e revendia.  Com o tempo, ganhamos estrutura e foco no segmento de direção – caixa, bomba, braço. Hoje somos referência no mercado, ao lado da ZF. Nos últimos cinco anos crescemos cerca de 35% ao ano, resultado de uma estratégia de negócio sólida.

RP: Como essa rápida evolução impactou a estrutura interna?

Trofino:  A nossa estrutura é sólida, e sentimos que chegou o momento de mostrar com mais força quem somos. Temos apenas um gestor que veio de fora, todos os demais foram formados internamente. São profissionais que começaram em funções básicas, como estoquistas e secretárias, e evoluíram para cargos de liderança, muitos com pós-graduação e alta qualificação. Esse crescimento orgânico criou uma cultura empresarial forte, marcada por comprometimento e lealdade. Aqui, cada colaborador trata a empresa como se fosse sua, e isso, para mim, é uma das coisas mais bonitas que construímos.

RP: O senhor mencionou um crescimento de 35% ao ano. Como está sendo essa expansão e para onde ela está direcionada?

Trofino: Acreditamos que o segredo está em ser referência no que fazemos, sem perder a identidade. Muitas empresas começam bem, mas acabam se diluindo ao abraçar outros segmentos. Nós preferimos continuar especialistas em direção – não lançamos peças de suspensão, transmissão ou motor. Enquanto houver espaço para crescer dentro desse segmento, não pretendemos expandir para outras linhas.

RP: De que forma a Ampri tem estruturado os seus investimentos para sustentar esse ritmo?

Trofino:  Optamos por utilizar os nossos próprios recursos, mantendo uma estrutura financeira saudável e evitando a dependência excessiva de instituições bancárias. Essa escolha nos garante mais estabilidade e liberdade para tomar decisões estratégicas com serenidade. É verdade que poderíamos acelerar o nosso crescimento, mas preferimos avançar com segurança, sem nos endividar. Com os juros elevados, essa postura se torna ainda mais essencial.

RP: A Ampri já exporta para 17 países. Como tem sido a expansão internacional e quais são os planos futuros?

Trofino: Hoje, exportamos para toda a América Latina, Estados Unidos e alguns países da Europa, especialmente produtos voltados para carros antigos. A exportação foi, sem dúvida, o setor que mais cresceu nos últimos cinco anos. Tudo começou com a caixa de direção do Fusca, que ninguém tinha na época, e conseguimos abrir mercado no México. O nosso gerente de exportação está conosco desde 2002 e foi peça-chave nesse processo. Agora, estamos estudando abrir um centro de distribuição nos Estados Unidos. Temos um cliente brasileiro que deseja ser atendido diretamente de lá. Isso pode nos trazer benefícios fiscais, como a redução de tarifas de até 50%, desde que geremos empregos locais. A ideia é abrir essa planta até 2027, voltada para o mercado de reposição americano e o mexicano. 

RP: Quanto representa hoje a exportação no faturamento da empresa?

Trofino: Hoje, a exportação representa cerca de 10% do nosso faturamento. O nosso objetivo é chegar a 25%. Vendemos bem para o México e a América do Sul, mas ainda muito pouco para os Estados Unidos; por isso, estamos planejando abrir uma planta lá.

RP: Com o avanço dos carros elétricos, como a Ampri tem se adaptado em relação aos produtos de direção?

Trofino: Na verdade, para o nosso mercado, os produtos de direção, seja para carro elétrico, seja para carro mecânico ou a combustão, são praticamente iguais. A construção do produto não muda muito. Claro que estamos desenvolvendo soluções específicas para veículos elétricos, mas a base continua a mesma. Quem vai precisar se reinventar são as empresas que fabricam componentes de motor. Já a parte de direção permanece estável.

RP: Como tem sido a evolução da empresa em relação à adoção de novas tecnologias?

Trofino: Estamos investindo bastante em tecnologia e entrando de vez na Indústria 4.0. Já implementamos robôs na produção, estamos adotando o sistema MES [software utilizado na indústria para monitorar, controlar e otimizar os processos de produção em tempo real] para controle de processos e temos BI [Business Intelligence] em todas as áreas da empresa para melhorar a gestão. Acreditamos que é essencial otimizar ao máximo, com menos funcionários, mas com mais eficiência. E os colaboradores que estão conosco precisam ser bem tratados e valorizados. Essa é uma filosofia que seguimos com muito cuidado.

RP: Como é a relação da Ampri com os reparadores? Que tipo de ações e parcerias vocês têm desenvolvido?

Trofino: A gente tem investido bastante na aproximação com os reparadores. Temos parceria com o Senai e estamos entrando em um projeto chamado Oficina do Saber, de uma indústria parceira, para oferecer cursos técnicos. Inclusive, estamos planejando criar a nossa própria Escola do Mecânico. O nosso produto, especialmente a caixa de direção hidráulica, exige conhecimento técnico para a aplicação correta. Se o mecânico não estiver bem-preparado, pode haver problemas de garantia por má instalação. Por isso, temos três técnicos em campo e estamos contratando mais. Eles visitam oficinas por demanda ou fazem rotas nas regiões em que atuam.

RP: Como irá funcionar a Escola do Mecânico?

Trofino: A ideia é começar com cursos on-line, que têm maior alcance, especialmente para mecânicos de outras regiões e até de fora do Brasil, já que exportamos para 17 países. Também queremos trazer os mecânicos presencialmente. Além disso, realizamos palestras em parceria com clientes, como a Pellegrino, que convida os seus mecânicos enquanto nós ministramos o conteúdo. Mas sabemos que a palestra tem um alcance mais limitado. Por isso, acreditamos que os cursos on-line são o caminho para estarmos mais próximos ao reparador.

RP: Essas ações têm foco em fidelização ou em redução de garantia?

Trofino: Nos dois. Queremos fidelizar o mecânico, claro, mas também reduzir problemas de garantia por má-aplicação. Ao ensinar o mecânico, é inevitável que ele aprenda a aplicar peças de outras marcas também, mas isso faz parte. O importante é que ele esteja preparado e confiante na hora de instalar os nossos produtos.

RP: A Ampri tem marcado presença em feiras importantes, como na Alemanha e na Automec. Qual é a estratégia da empresa em relação à participação nesses eventos?

Trofino:  Já participamos de vários eventos no Brasil, mas percebemos que vale mais a pena concentrar os nossos esforços na Automec. Preferimos uma presença marcante e bem estruturada, como a que fizemos recentemente, em vez de dispersar recursos em várias frentes. Internacionalmente, marcamos presença na feira de Frankfurt, a cada dois anos, e na de Las Vegas, anualmente, sempre em parceria com o Sindipeças. Esses eventos são estratégicos para fortalecer a marca, abrir novos mercados e conquistar mais share. O nosso propósito vai além de vender caixa de direção, queremos consolidar a Ampri como referência no segmento.

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