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Entrevista

Inovação sustentável

Escrito por admin -

Rubens Campos, vice-presidente sênior da Schaeffler Vehicle Lifetime Solutions na América do Sul, fala sobre expansão de portfólio, inovação e gargalos da cadeia de distribuição

por Regina Ramoska

Revista Pellegrino: Do ponto de vista de engenharia e desenvolvimento de produto, quais são hoje os principais diferenciais tecnológicos da Schaeffler na América do Sul?

Rubens Campos: A Schaeffler se destaca pela capacidade de produzir no Brasil uma parcela significativa do seu portfólio, abrangendo todas as suas marcas-chave, como LuK, INA e FAG. Esse posicionamento fortalece a nossa presença regional e garante maior proximidade com o mercado. Em 2025, demos um passo estratégico com a aquisição da Vitesco, que ampliou o nosso portfólio e consolidou a nossa atuação em sistemas eletroeletrônicos, como sensores NOx e unidades de controle de transmissão (TCU). Essa integração reforça o nosso diferencial tecnológico ao combinar componentes mecânicos de alta precisão com soluções digitais avançadas, sempre acompanhando a evolução da mobilidade e as demandas crescentes por inovação no setor automotivo.

RP: Do ponto de vista operacional, como a Schaeffler tem utilizado automação, inteligência artificial e inovação em processos para ganhar eficiência?

Rubens Campos: Além dos produtos, a inovação está presente em nossos processos operacionais. No Centro Logístico Central (CLC), em Porto Feliz (SP), adotamos automação com robôs para a movimentação de peças pesadas, o que aumenta a segurança e a eficiência das operações. Também utilizamos soluções de inteligência artificial para automatizar tarefas repetitivas e rotineiras. Essa combinação de tecnologias permite que as nossas equipes se concentrem em atividades estratégicas de maior valor agregado, elevando a produtividade e a qualidade operacional. Esse foco é essencial para lidar com a complexa malha logística, fiscal e tributária do Brasil. Olhando para 2026, teremos pela frente desafios relevantes, especialmente relacionados à reforma tributária e ao cenário eleitoral, que trazem incertezas, mas também oportunidades para a melhoria dos negócios.

RP: Quais critérios determinam quais famílias de produtos recebem prioridade no aftermarket brasileiro?

Rubens Campos: Os nossos critérios são baseados no tamanho e na demanda do mercado, nos fatores de troca e na presença das nossas marcas, que contam com ampla cobertura das aplicações na frota circulante global. Além disso, a predominância de veículos com motor a combustão na frota local é um fator determinante, assegurando a continuidade da demanda nos próximos anos, incluindo os veículos elétricos e híbridos. A nossa estratégia de engenharia está voltada para o desenvolvimento contínuo e a ampliação estratégica do portfólio das nossas quatro marcas. Um ponto-chave dessa abordagem é a atuação conjunta do nosso time de engenharia local com o time da matriz, na Alemanha, oferecendo soluções sob medida que atendam às demandas e especificidades técnicas do mercado brasileiro.

RP: Quais são os programas de capacitação oferecidos pela Schaeffler?

Rubens Campos: Nós reconhecemos que o setor de reparação está em uma profunda transformação. Hoje, o domínio técnico tradicional não é mais suficiente. A ascensão de veículos eletrificados, a presença de sistemas de alta tensão e a complexidade do diagnóstico eletrônico exigem do profissional atualização constante. Nesse contexto, atuamos estrategicamente por meio da nossa plataforma REPXPERT, que oferece conteúdos especializados para reparadores de todo o país. No portal on-line, os profissionais têm acesso a materiais técnicos, passo a passo de montagem, dicas práticas e diversas literaturas que facilitam o dia a dia na oficina.

RP: Quais iniciativas a Schaeffler têm adotado para elevar o nível de certificação, rastreabilidade e controle de qualidade de seus componentes?

Rubens Campos: A nossa oferta se sustenta em produtos de qualidade OE (Original Equipment) e em uma ampla cobertura de aplicações para a frota circulante. Adicionalmente, investimos em capacitação técnica para reduzir problemas em reparos causados por falhas de aplicação e, consequentemente, aumentar a satisfação do cliente final, diferenciando os nossos produtos não apenas pela qualidade intrínseca, mas também pelo suporte e conhecimento técnico associado.

RP: Quais iniciativas de sustentabilidade que a Schaeffler tem implementado no aftermarket?

Rubens Campos: A Schaeffler, por meio da divisão VLS (Vehicle Lifetime Solutions), tem implementado várias iniciativas de sustentabilidade focadas no desenvolvimento de soluções para a frota e na otimização dos processos de reparo, alinhadas à estratégia global de descarbonização e economia circular. Um exemplo é o E-Axle RepSystem-G, que permite o reparo de eixos elétricos em vez da substituição total, economizando recursos e reduzindo emissões de CO2. Além disso, temos metas globais como o uso de 100% de energia renovável em nossas unidades e a produção com impacto neutro no clima. Desenvolvemos produtos “verdes” que geram menos emissões ao longo do ciclo de vida e oferecemos soluções para a frota a combustão, como o VCP (Variable Camshaft Phasing) e o sistema UniAir, que aumentam a eficiência do motor e reduzem emissões. Também destacamos componentes como sensores NOx e rolamentos especiais para powertrain, que diminuem atrito, desgaste e consumo de recursos.

RP: Quais os principais diferenciais do centro logístico de Porto Feliz?

Rubens Campos: Com mais de 20 mil metros quadrados e mais de 100 empregados, o CLC representa um marco em nossa eficiência. A nova operação, inaugurada em 2024, está sob a gestão total da nossa divisão VLS, focada no mercado de reposição automotiva. Isso nos permitiu ampliar significativamente a capacidade do centro para recebimento, armazenamento e envio de produtos, e assumimos o planejamento e controle de processos na montagem de kits, otimizando toda a nossa cadeia de suprimentos.

RP: Como a Schaeffler avalia a evolução do mercado de reposição automotivo?

Rubens Campos: É promissor, impulsionado principalmente pela expansão da frota circulante no país. Com a crescente complexidade tecnológica, a Schaeffler tem adotado uma postura estratégica importante, evidenciada pela aquisição da Vitesco. Com um portfólio abrangente de equipamentos originais, a nova gama de produtos Schaeffler Vitesco possibilita o compartilhamento de todo o conhecimento técnico dos novos itens com a divisão de aftermarket automotivo. Isso amplia e complementa a base de conhecimento que oferecemos aos reparadores, garantindo suporte técnico especializado para atender às demandas do mercado.

RP: Quais são hoje os principais gargalos da cadeia de distribuição no aftermarket?

Rubens Campos: Um dos principais gargalos na distribuição do aftermarket é a elevada complexidade logística, fiscal e tributária no Brasil. Para atender a nossa rede de distribuidores, que conta com mais de 600 pontos de venda, é necessário um planejamento e uma estrutura física robusta e eficiente. Para enfrentar esses desafios, a empresa tem investido na modernização do centro de distribuição, na automação de processos e na integração de sistemas digitais que proporcionam maior visibilidade e controle do estoque em tempo real. Além disso, há expectativas de que a Reforma Tributária, prevista para 2026, possa mitigar algumas barreiras fiscais, simplificando a cadeia logística e possibilitando a adoção de um modelo de distribuição mais eficiente.

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